Você já ouviu o som que um morcego emite?

Aqui em Belo Horizonte, os morcegos são bem comuns. À noite, não é difícil vislumbrar seus vôos rasantes entre as copas das árvores.

Embora muita gente pense que morcegos sejam ‘sugadores de sangue’, na maioria das vezes isso não passa de crença popular. Quando em condições saudáveis, os morcegos não representam risco de ataque ao homem e a outros animais.

De acordo com a Prefeitura de Belo Horizonte, em todo o país, há cerca de 150 espécies catalogadas, e apenas três se alimentam de sangue de outros animais, ou seja, são hematófagas – e geralmente são encontradas apenas em áreas rurais.

Nas cidades, as espécies comuns se alimentam de frutas, sementes, néctar, pólen e insetos.

A importância dos morcegos

Além de equilibrar o ecossistema, os morcegos têm um papel importante dentro da vigilância epidemiológica de territórios. Através do monitoramento, é possível identificar a circulação do vírus da raiva no meio urbano.

Em Belo Horizonte, a vigilância é feita no Centro de Controle de Zoonoses pelo Laboratório de Morcegos Urbanos e pelas gerências de epidemiologia das regionais.

A análise é feita apenas naqueles animais identificados com comportamento anormal, ou seja, morcegos que estejam caídos no chão, vivos ou mortos; dependurados no meio da parede, em troncos de árvores, janelas ou em locais de baixa altura; ou que estejam voando durante o dia.

Imagem de monitoramento de morcegos em Belo Horizonte, MG / Divulgação PBH

Imagem de monitoramento de morcegos em Belo Horizonte, MG / Divulgação PBH

Os sons dos morcegos

Os morcegos têm estruturas muito sofisticadas para emissão de sons e, em um estudo publicado na revista científica Mammal Research, pesquisadores brasileiros buscaram entender os mecanismos de ecolocalização desses mamíferos.

Dados confiáveis sobre chamadas de ecolocalização de morcegos são importantes para melhorar o conhecimento sobre os padrões de distribuição e a ecologia das oito famílias de morcegos presentes no país.

O trabalho teve como objetivo, além de criar uma espécie de ‘biblioteca’ de sons de morcegos, detectar mudanças regionais no perfil acústico dessas espécies, identificar lacunas no conhecimento em termos de espécies e regiões e apontar quais espécies são acusticamente reconhecíveis de maneira confiável.

O uso da bioacústica pode ser uma ferramenta fundamental para ampliar o conhecimento sobre morcegos brasileiros e melhorar sua conservação.

O trabalho só foi possível porque cientistas de universidades brasileiras e estrangeiras se reuniram: Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), Universidade Federal de Pernambuco, Universidade de Brasília, Bureau d’Études BIOTOPE (Guiana Francesa) e Universidade de Aveiro, em Portugal.

Eles compilaram os sons de alta frequência (ultrassons) emitidos por 65 espécies de oito das nove famílias de morcegos encontradas no País.

A pesquisa também vai melhorar o conhecimento sobre os morcegos, que desempenham papel ambiental e ecológico importante – por exemplo, a polinização de flores, a dispersão de sementes e o controle de populações de insetos.

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