Sabe aquele dia em que, por algum motivo, você fica mais quietinho, em seu canto, e com os olhos atentos ao horizonte? Ao te ver assim, alguém há de lhe tascar a bem-dita pergunta: “Por que não para de filosofar aí, hein?”

As pessoas, às vezes, são curiosas, né? Mas não é que há, realmente, profissionais habilitados a (e apaixonados por) pensar e pensar e pensar…

Sim! Eu me refiro a homens e mulheres dedicados à Filosofia, área do conhecimento que, segundo o professor (e filósofo!) Luiz Henrique Magalhães, do Centro Universitário de Belo Horizonte – o UniBH –, caracteriza, justamente, como “um modo de pensar a realidade”.

Ele explica que tal campo de investigação das coisas do mundo, do homem, da vida, se define pela maneira de abordar os “objetos” de estudo. “Existe, por exemplo, a Filosofia Política, ou a da Ciência, a da História… Se o cientista faz ciência, o ‘filósofo da ciência’ pensa o ‘estatuto’ dessa ciência, o método científico, a questão da verdade científica etc.”.

O Luiz Henrique nos lembra, aliás, que a própria pergunta “O que é a Filosofia?” já é uma questão filosófica! “Além disso, uma breve pesquisa sobre o tema vai nos levar a respostas diferentes, dependendo da época e da perspectiva de pensamento do filósofo”, completa.

Eu filosofo, tu filosofas, ele…

Ao filosofar, encontraremos respostas variadas e muito diferentes entre si. “Afinal, é um exercício do pensamento que, a partir do conhecimento de elaborações filosóficas anteriormente estabelecidas, reflete sobre uma dada realidade ou mesmo sobre como outros filósofos abordaram uma questão”, comenta o professor.

Luiz Henrique destaca, então, algo muito, muito legal:

“Isso tudo deixa claro que filosofar não é algo tão natural, ou espontâneo, como alguns afirmam. Pensar é próprio do ser humano, mas o pensar filosófico pressupõe o domínio de certos conceitos. E isso só é possível com o estudo da Filosofia”.

Dia a dia

Ao estudar Filosofia, o profissional da área busca abordar, de forma mais aguda e profunda, uma realidade específica. “Um médico empenhará todos os seus esforços para salvar uma vida, e melhorar as condições de vida de um ser humano. Já o filósofo vai querer perguntar: ‘O que é a vida?’; ‘Quais as variadas maneiras de se definir e compreender o que é a vida humana’?”

Quanto ao dia a dia de tal profissional das ideias, em um País como o Brasil, na maior parte das vezes, o filósofo vai… lecionar Filosofia. “As oportunidades de pesquisa são muito restritas, e, quase sempre, encontram-se nas universidades públicas. Um filósofo também pode integrar comissões de ética em empresas e hospitais e exercer atividades menos específicas”, esclarece o professor Luiz Henrique.