Em 11 e 12 de maio de 1997, a NASA usou satélite térmico especial para fotografar do alto a cidade de Atlanta, nos Estados Unidos. Naqueles dias, os moradores tinham sensação térmica de 26,7 graus, mas em alguns pontos da superfície a temperatura chegava a 47,8 graus. Nesta imagem, azul mostra temperaturas frias e vermelho mostra temperaturas quentes. Os pontos extremamente quentes aparecem em branco.

Mostramos esta imagem para dizer que a forma como ocupamos os territórios para formação das cidades impacta muito o clima de cada localidade. Imagine se pudéssemos ver a Belo Horizonte da década 1920 dentro de uma caixinha de vidro. Poderíamos brincar de observar as mudanças até os dias atuais, considerando o crescimento urbano. Certamente, veríamos grandes alterações no solo, relevo e no ar da cidade.

Áreas que antes eram cobertas por matas, deram lugar ao asfalto. Os rios despareceram ou ficaram escondidos na paisagem urbana. Essas mudanças de composição do território impactam a atmosfera, que é a camada de ar no entorno da Terra.

A atmosfera protege a vida no planeta absorvendo a radiação ultravioleta solar, aquecendo a superfície por meio da retenção de calor e reduzindo os extremos de temperatura entre o dia e a noite. No entanto, as mudanças trazidas por uma ocupação urbana desorganizada, prejudicam essa camada de ar, principalmente por conta da emissão de gases poluentes.

Imagens do Viaduto Santa Tereza antes (1926) e depois (2005). Foto: Prefeitura de Belo Horizonte/ Flickr Divulgação

Imagens do Viaduto Santa Tereza antes (1926) e depois (2005). Foto: Prefeitura de Belo Horizonte/ Flickr Divulgação

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Dois fatores importantes que influenciam a temperatura das cidades são: concreto e plantas. Concreto torna as cidades mais quentes e as plantas as tornam mais frescas.  Árvores, arbustos e grama fornecem ar natural aos ambientes por meio da transpiração, processo em que eliminam água.

Está em alta o uso de telhados verdes para casas e prédio, justamente para tentar aliviar as temperaturas. Já pensou em sugerir a construção de um desses na sua casa ou prédio?

Palavra de cientista

A arquiteta e urbanista Daniele Gomes Ferreira é especialista em estudos de clima aplicados ao planejamento urbano.

“São muitos elementos que inserimos no ambiente. Por exemplo, se a gente cobre mais o solo, a temperatura aumenta e o chão fica impermeável para a chuva. Assim, a água corre mais rápido porque não penetra no solo, chega aos rios e enche com velocidade. Ocorrem enchentes porque não tem para onde a água ir. Nós criamos algumas dificuldades para o ambiente natural se conformar”, afirma.

Outro exemplo que Daniele Gomes explica é relacionado às formas de construção. A cama de concreto urbana, absorve energia de um jeito diferente dos ambientes rurais onde há cobertura vegetal. Durante o dia, as edificações recebem luz e calor do sol. Essa radiação fica retida por mais tempo, mesmo no período noturno, o que provoca aumento de temperaturas.

Por que estudar clima nas cidades?

Cientistas estão em busca de soluções para melhor planejamento urbano. Geógrafos, meteorologistas, arquitetos, climatologistas, biólogos, engenheiros, físicos e uma série de outros especialistas se juntam em pesquisas sobre o impacto do crescimento das cidades.

Vivemos nas cidades e queremos entender como elas modificam o meio ambiente, afinal, resultados dessas mudanças impactam nossa rotina. Ondas de calor podem ser mortais, assim como grandes temporais e as enchentes.

Para ser ter uma ideia, do quanto a humanidade se preocupa em entender o clima, a Organização Mundial de Meteorologia tem 11 mil estações meteorológicas. Parece muito até você aprender que o planeta tem 144,7 milhões quilômetros quadrados de terra, sendo assim a organização tem um termômetro para a cada 13.012 quilômetros quadrados.

Fontes de informações: Urban Heat Islands – Nasa