“Égua! Em noite de lua cheia, vai ter piracaia. Apesar do pitiú, adoro participar! Enquanto isso, dá teus pulos, pois tô brocado! Bora logo caprichar no piracuí com tacacá. Mais tarde, tem aparelhagem e carimbó, e, sem pandu cheio, olha que o pau te acha! Ah, ontem, fui de pô-pô-pô a Ponta de Muretá, e me esbaldei de taperebá, cupuaçu e bacuri. Pai d’égua!!! Espia a hora! Borimbora! Já me vu!”

E aí, entendeu tudinho da historieta acima, contada por um amigo, o Zé Tapajós? Não?!?! Calma, calma! Se ficou boiando, isso só quer dizer que você não nasceu no… Pará, no Norte do Brasil.

Sim! As expressões usadas no parágrafo aí “em riba” contêm um monte de frases usadas pelos paraenses. E revelam a riqueza, no País, das transformações da língua portuguesa – que, em cada Estado, é falado de um modo especial.

Bem… Antes de continuar a falar da beleza de nossas muitas e muitas línguas, acho legal tentar “traduzir” a história para ti. Vamos lá! O que o Zé quis dizer é o seguinte:

“Nossa! Em noite de lua cheia, vai ter peixe assado em praia de rio. Apesar do cheirinho ruim dos cardumes, adoro participar! Enquanto isso, resolva seus problemas, pois tô com muita fome! (Entendeu o título da reportagem?!) Vamos, rapidamente, caprichar na farora de peixe com tacacá – caldo feito com goma da mandioca, camarões e tucupi. Mais tarde, tem aparelhagem – aquelas caixas grandonas de música eletrônica brega – e show com nosso ritmo mais tradicional, o carimbó. Sem estômago cheio, tome cuidado, pois você pode se dar mal! Ah, ontem, fui de lancha à praia de Ponta de Muretá, em Alter do Chão (PA), e me esbaldei de suco de taperebá, cupuaçu e bacuri, frutinhas típicas da região. Muito bom! Veja a hora! Vamos embora! Já vou!”

Mas, se todos os brasileiros falam a mesma língua, por que o jeito de falar muda tanto de uma região a outra?

Para entender o porquê de existir tantos sotaques no Brasil, é preciso, primeiro, entender que durante a história do País, cada região recebeu imigrantes vindos de diferentes lugares do mundo!

Antes de os portugueses chegarem ao Brasil, em 1500, nosso território era povoado por indígenas. Porém, diferentes tribos tinham uma forma de falar diferente. Com a colonização portuguesa, nossa língua oficial passou a ser o português, mas, por causa dos indígenas que aqui habitavam e dos outros imigrantes que vieram pra cá naquela época – como outros europeus e africanos –, a língua portuguesa acabou influenciada por línguas e dialetos.

No Pará, a língua falada tem influência tanto do português de Portugal quanto da forma de conversar dos povos indígenas que habitavam (e, em alguns casos, ainda habitam) aquela região. A palavra “Piracaia”, por exemplo, vem do tupi-guarani, falado por boa parte das tribos brasileiras.

Legal, né? Veja outras palavras diferentonas para nós, mas muito comuns para os paraenses!

Carapanã: mosquito, pernilongo

Igarapé: rio pequeno, riacho

Ralada: feia, difícil (situação)

Caboquice: extravagância

Buiado: com muito dinheiro

(por Mariana Alencar e Maurício Guilherme Jr)