“Me diz, qualé? Que ideia de jerico! Quem foi que te falou que comer bem é pagar mico?”

Uma boa alimentação ajuda promover a saúde de pessoas, famílias e da sociedade como um todo, hoje e no futuro. Nas últimas décadas, o Brasil passou por diversas mudanças políticas, econômicas, sociais e culturais que evidenciaram transformações no modo de vida da população.  Todo mundo trabalha muito, vive correndo e em busca de soluções práticas.

Assim, aconteceram alterações no padrão de consumo alimentar dos brasileiros, uma delas o é o aumento de alimentos processados e ultraprocessados, substituindo os in natura. De acordo como Ministério da Saúde, o país enfrenta aumento expressivo do sobrepeso e da obesidade em todas as idades. O excesso de peso acomete um em cada dois adultos e uma em cada três crianças.

É por isso que as autoridades lançaram o Guia Alimentar para a População Brasileira que apresenta um conjunto de informações e recomendações sobre alimentação. Este material foi elaborado pelo cientista Carlos Augusto Monteiro, do Núcleo de Pesquisas Epidemiológicas em Nutrição e Saúde da Universidade de São Paulo (USP) juntamente com uma equipe técnica.

No guia, a gente foi escarafunchar as diferença entre alimentos in natura, processados e ultraprocessados. Trouxemos aqui tudo resumidinho para você!

In natura ou minimamente processados

São alimentos obtidos diretamente de plantas ou de animais e não sofrem qualquer alteração após deixar a natureza. Eles passam por processos de limpeza, remoção de partes não comestíveis ou indesejáveis. Às vezes chegam até nós depois de serem repartidos, moídos, secos, fermentados, pasteurizados, refrigerados, congelados. No entanto, os processos pelos quais eles passam não envolvem adição de sal, açúcar, óleos, gorduras ou outras substâncias.

Legumes, verduras, frutas, batata, mandioca e outras raízes e tubérculos, in natura ou embalados, fracionados, refrigerados ou congelados. Foto: Miwok/ Flickr

Faça dos alimentos in natura ou minimamente processados a base de sua alimentação porque eles fornecem variada quantidade de energia e nutrientes. Além disso, como grande parte é de origem vegetal, o consumo estimula a agricultura que é fonte de renda de muitas famílias.

Processados

São alimentos fabricados pela indústria com a adição de sal, açúcar ou outra substância de uso culinário aos alimentos in natura. Esses acréscimos servem para torná-los duráveis e mais agradáveis ao paladar. São produtos  reconhecidos como versões dos alimentos “originais”.

Pães feitos de farinha de trigo, leveduras, água e sal. Foto: Crocus Group/ Flickr

Limite o uso de alimentos processados, consumindo-os, em pequenas quantidades, como ingredientes de preparações culinárias ou como parte de refeições baseadas em alimentos in natura. Isso porque, os ingredientes e os métodos de processamento utilizados na fabricação prejudicam um pouco a composição nutricional.

Ultraprocessados

São alimentos que saem prontos das indústrias. São feitos de substâncias extraídas de alimentos de verdade (óleos, gorduras, açúcar, amido, proteínas).  Alguns são sintetizados em laboratório com base em matérias orgânicas como petróleo e carvão como é o caso de corantes, aromatizantes e realçadores de sabor. Esses alimentos são feitos com técnicas de moldagem, pré-processamento, fritura e cozimento.

Vários tipos de biscoitos, sorvetes, balas e guloseimas em geral, cereais açucarados para o desjejum matinal, bolos e misturas para bolo, barras de cereal. Foto: Jelly Beans/ Flickr

Evite alimentos ultraprocessados, pois devido a seus ingredientes, são nutricionalmente desbalanceados.

Foto: Garitzko / Flickr

Foto: Garitzko / Flickr

Óleos, gorduras, sal e açúcar

Esses produtos são extraídos de alimentos in natura ou da natureza e passam por processos como prensagem, moagem, trituração, pulverização e refino. São usados nas cozinhas das casas e em refeitórios e restaurantes para temperar e cozinhar alimentos como caldos e sopas, saladas, tortas, pães, bolos, doces e conservas.

 

Desde que utilizados com moderação em preparações culinárias com base em alimentos in natura, os óleos, as gorduras, o sal e o açúcar contribuem para diversificar e tornar mais saborosa a alimentação sem que fique nutricionalmente desbalanceada.

O consumo excessivo de sal e gorduras saturadas aumenta o risco de doenças do coração, enquanto o consumo excessivo de açúcar aumenta o risco de cárie dental, obesidade e de várias outras doenças crônicas.

Você vai ao supermercado?

Aposto que você, de vez em quando, acompanha os pais ou responsáveis nas compras de supermercado. Chegando lá, fica doido para consumir um monte de tentações das gôndolas. Verdade ou mentira?

A chefe de cozinha Rita Lobo é umas das defensoras da “comida de verdade” no Brasil. Em seu canal no Youtube e programas de TV, ela incentiva as pessoas a usar ingredientes comuns para uma cozinha prática e saudável. Neste vídeo, a chefe dá dicas de como fugir dos ultraprocessados no supermercado:

“Alimentação é mais que ingestão de nutrientes”

“Alimentação diz respeito à ingestão de nutrientes, como também aos alimentos que contêm e fornecem os nutrientes, a como alimentos são combinados entre si e preparados, a características do modo de comer e às dimensões culturais e sociais das práticas alimentares. Todos esses aspectos influenciam a saúde e o bem-estar.” (Guia Alimentar para a População Brasileira  – Ministério da Saúde)

Já falamos aqui no Minas Faz Ciência Infantil sobre comida e afeto, destacando o quanto a alimentação nos conecta à lembranças e sentimentos.  Explicamos, também, a diferença entre o nosso almoço e as “refeições” dos animais, que é a maneira como preparamos os alimentos.

CURIOSIDADE: Você conhece a música de abertura deste texto? É a vinheta de abertura do programa “Socorro, Meu Filho come mal” que traz um monte de dicas de receitas diferentes para a garotada. Todas elaboradas pela nutricionista Gabriela Kapim, que trabalha com crianças há mais de 13 anos, muito focada na saúde e consciência alimentar.

O assunto da alimentação saudável também está na edição 73 da Revista Minas Faz Ciência. Confira a matéria sobre uma força tarefa científica para combater a obesidade em crianças e adolescentes.