00Há exatamente um mês, a Guatemala viveu uma tragédia com a erupção do Vulcão Fuego. Segundo a Coordenadoria Nacional para a Redução de Desastres (Conred), mais de 100 pessoas morreram, centenas ficaram feridas e 12 mil foram desalojadas por causa da atividade vulcânica. Aproximadamente 200 pessoas estão desaparecidas. Este foi o evento mais terrível da Guatemala desde 1902, quando o vulcão Santa Maria entrou em erupção e matou milhares.

A tragédia gerou imagens curiosas registradas pelos satélites Copernicus Sentinel-5, da Agência Espacial Europeia (ESA), e o Suomi NPP, na Agência Espacial Americana (Nasa). Esses aparelhos ficam em órbita, ao redor da Terra, e geram fotos de perspectivas incríveis. São equipamentos capazes de medir o calor emitido por alguma região do planeta e a quantidade de gases liberados no ar.

A imagem a seguir é do satélite Copernicus Sentinel-5 e mostra a concentração de dióxido de enxofre na nuvem de fumaça expelida pelo Vulcão Fuego. Este gás tem um cheiro muito forte, causa desconforto para quem respira e contribui para o aquecimento do planeta. Além disso, afeta as plantas e animais. As áreas mais vermelhas da imagem mostram grande concentração de dióxido de enxofre.

Foto: ESA/Divulgação

Imagem: ESA/Divulgação

Esta outra imagem foi gerada pelo no Suomi NPP e também mostra a concentração de dióxido de enxofre. Na área com a cor laranja escura, o gás alcançou entre 8 e 10 quilômetros de altura.

Imagem: Nasa/Divulgação

Imagem: Nasa/Divulgação

Fluxo piroclástico

A emissão de gás não foi o único problema  trazido pelo Vulcão Fuego durante a erupção em 3 de junho de 2018. Ocorreu na Guatemala um fenômeno chamado fluxo piroclástico, em que gás quente com matéria vulcânica, cinzas e fragmentos de rocha se espalham ao redor do vulcão. O povoado de El Rodeo de Escuintla foi o mais atingido e esses elementos destruíram tudo de forma violenta.

Segundo informações do Instituto Nacional de Sismologia, Vulcanologia, Meteorologia e Hidrologia (Insivumeh), a coluna de cinza expelida alcançou 10 quilômetros de altura sobre o nível do mar. O Centro de Consultoria de Cinzas Vulcânicas de Washington estimou 15 quilômetros.

Quando falamos em vulcão, a primeira imagem que vem à mente é da lava expelida lentamente. O Vulcão Fuego foi muito além nessa última erupção, pois arremessou em alta velocidade esses materiais perigosos. De acordo com a Nasa, alguns fragmentos chegaram a “voar” a 80 quilômetros por hora, velocidade suficiente para derrubar árvores, casas ou qualquer outra coisa no caminho.

Vulcão Fuego. Foto: Marco Verch/Flickr (http://foto.wuestenigel.com/)

Vulcão Fuego. Foto: Marco Verch/Flickr (http://foto.wuestenigel.com/)

Vulcão Fuego

Este é um dos vulcões mais ativos da América Central. É do tipo estratovulcão, pois tem formato de cone resultado do magma que extravasou e se acumulou. Ele tem 3.763  metros de altura e antes de junho, havia entrado em atividade no mês de janeiro deste ano.

Clique e veja fotos antigas do Vulcão Fuego

Satélites que registram tudo!

Satélite Sentinel-5P. Foto: ESA/ Divulgação

Satélite Sentinel-5P. Foto: ESA/ Divulgação

O Copernicus Sentinel-5P da ESA foi lançado no espaço em outubro de 2017.  Ele carrega um instrumento de última geração chamado Tropomi que mapeia a variação de gases na atmosfera.

É capaz de detectar mudanças na quantidade de nitrogênio, ozônio, formaldeído, dióxido de enxofre, metano, monóxido de carbono e aerossóis.

Todos esses gases afetam o ar que respiramos e, portanto, nossa saúde e clima.

Já o Suomi NPP da Nasa é um satélite carregado de aparelhos tecnológicos capazes de fazer imagens em infravermelho.

Ele foi lançado em outubro de 2011 e desde então envia informações sobre a dinâmica de todo o sistema terrestre: nuvens, oceanos, vegetação, gelo, terra e atmosfera.

Satélite Suomi NPP . Imagem: NASA’s Scientific Visualization Studio

Satélite Suomi NPP . Imagem: NASA’s Scientific Visualization Studio

Este sistema registrou a atividade do Vulcão Fuego por volta de 13h do dia 3 de junho, por conta da cortina de fumaça que ultrapassou as nuvens.

Fontes das informações: Fuego plumeA deadly eruption Rocks Guatemala: Natural HazardsGlobal Volcanism Program/FuegoErupção do Vulcão de Fogo na Guatemala.