Toda esta festança que conhecemos durante o carnaval é parte de uma história bem antiga de manifestações populares e tradicionais.  Foliões, alegorias, bloquinhos, desfiles, fantasias, música e muita brincadeira são heranças que a alegria carnavalesca deixa a cada ano. Vamos aqui contar só um pouquinho dessa memória festiva.

Alguns estudiosos afirmam que a festa tem origem nas tradições milenares da Europa Ocidental. Há 10 mil anos, homens, mulheres e crianças já se reuniam no fim do verão, com os rostos mascarados e os corpos pintados para festejar os deuses e espantar qualquer energia negativa que pudesse atrapalhar os bons resultados da colheita na agricultura.

Outros pesquisadores apontam a origem na Grécia Antiga em que eram confeccionados barcos de madeira bem decorados para comemorar a temporada de velejamento, no início da primavera. Esses barcos se tornaram espaços de diversão para o povo e seriam a inspiração para os atuais carros alegóricos.

Há também relatos da festa na Idade Média relacionada a comemorações cristãs com procissões com carruagens semelhantes a navios. Elas também serviam para saudar o início da primavera. Hoje, o carnaval é esta festa popular que ocorre de acordo com o calendário cristão, pois acontece 47 dias antes da Quaresma – o período de preparação para páscoa.

 A Estação do Samba, montada na avenida dos Andradas, em BH, recebe desfile das escolas e dos blocos. Imagem do Carnaval 2012. Foto: Belotur/Flick PBH

A Estação do Samba, montada na avenida dos Andradas, em BH, recebe desfile das escolas e dos blocos. Imagem do Carnaval 2012. Foto: Belotur/Flick PBH

Festa nacional

No Brasil, os portugueses trouxeram a tradição de uma grande festa de três dias que antecede a Quaresma. A festança era chamada de Entrudo e contagiava o povo português. Os colonizadores repetiram a tradição quando chegaram por aqui.

Os documentos mais antigos sobre festas parecidas com carnaval no Brasil datam do século XVI. No entanto, somente no século XIX, apareceram as primeiras tentativas a favor da substituição de Entrudo para carnaval, por conta da moda europeia de bailes de máscaras. Depois da abolição da escravatura, em 1888, surgiram os clubes carnavalescos, resultado de uma mistura de desfiles militares e procissões religiosas.

Já o carnaval neste modelo que conhecemos hoje, começa a se formatar a partir do século XIX. No Brasil, o Rio de Janeiro vira a referência das escolas de samba, sem deixar para trás os blocos de rua. Pernambuco encanta com o frevo, bonecos de Olinda e grandes blocos. Na Bahia, os foliões são levados pelos trios elétricos.

Carnavalzinho 2015, em BH. O projeto é voltado a famílias e crianças e promove o patrimônio imaterial ao resgatar os carnavais infantis, com marchinhas, fantasias, maquiagens e adereços. Foto: Belotur/Flick PBH

Carnavalzinho 2015, em BH. O projeto é voltado a famílias e crianças e promove o patrimônio imaterial ao resgatar os carnavais infantis, com marchinhas, fantasias, maquiagens e adereços. Foto: Belotur/Flick PBH

Jeitinho mineiro

A festa se espalha em território nacional: em capitais, municípios do interior e cidades histórias. Em Minas, a tradição carnavalesca se consolidou pelo interior com grande reunião de foliões em Ouro Preto e Diamantina.

Pré-Carnaval com alunos do programa Escola Integrada na Região Nordeste, em BH. Imagem de 2012. Foto: Isabel Baldoni/Belotur/Flickr PBH

Pré-Carnaval com alunos do programa Escola Integrada na Região Nordeste, em BH. Imagem de 2012. Foto: Isabel Baldoni/Belotur/Flickr PBH

Na capital, os foliões inauguraram a festança no século XIX, seguiram com bailes em clubes e desfiles de escolas de samba no século XX e com a tradicional Banda Mole (desde 1975). Em 2010, houve uma grande virada com o movimento carnavaliza BH em que blocos tomaram as ruas da cidade e hoje levam a festa da capital a outro nível.  Uma mudança parecida ocorre também na cidade de São Paulo.

Segundo a prefeitura de BH, em 2017 a capital mineira recebeu 500 mil turistas e contou com 3 milhões de foliões nas ruas. Foram mais de 350 blocos cadastrados, 416 desfiles, três palcos oficiais, desfiles de escolas de samba e blocos caricatos.

E aí, vai pular carnaval em BH este ano? Tem algumas dicas de bloquinhos infantis no Na Pracinha e Canguru Online .

Fontes das informações: História e estórias do Carnaval em Pernambuco (2008).  Carnaval e memória: das imagens e dos discursos (2000), Almanaque do carnaval (2008) e http://www.carnavaldebelohorizonte.com.br.