Luana Cruz e Mariana Alencar

Comer é uma necessidade. Afinal, por meio dos alimentos, a gente consegue os nutrientes necessários para crescer de forma saudável, ficar inteligente e guardar energia para estudar e brincar! Além disso, trata-se de algo muito gostoso, né?! Quem já não se deliciou com aquela colorida salada de frutas, ou sentiu saudades do bolo de chocolate da vovó? (Ops! Por falar nisso, bateu aqui uma dúvida bem diferente: qual será a diferença entre o nosso almoço e as “refeições” dos animais?)

A resposta está na maneira como preparamos nossos alimentos. Enquanto os bichos comem alimentos crus, que vivem na natureza – como plantas, frutas e outros animais, abatidos por meio da caça –, os seres humanos preparam a comida cuidadosamente: eles plantam, colhem, lavam, selecionam e, por fim, cozinham.

Quando o homem das cavernas descobriu o fogo, há milhões de anos, aproveitou as chamas para esquentar os alimentos.

Foi, então, que nossos ancestrais perceberam algo: cozidas, as comidas ficavam mais saborosas, além de mais fáceis de cortar e de mastigar. Estavam, ainda, livres de microrganismos ruins para a saúde.

comida

Fogo amigo

Para descobrir outras coisas sobre a preparação dos alimentos, que tal viajarmos, agora, aos Estados Unidos? Lá, na Universidade de Harvard, que fica no Estado de Massachusetts, o antropólogo norte-americano Richard Wrangham realiza um monte de pesquisas sobre as peculiaridades do hábito de cozinhar.

Esses estudos acabaram se transformando no livro Pegando fogo: por que cozinhar nos tornou humanos. Nele, Richard explica por que o ato de cozinhar os alimentos é algo tão importante para nós, a ponto de nos diferenciar dos outros animais.

Quando cozinhamos, as moléculas que formam os alimentos são quebradas por conta do calor. Isso faz com que nosso organismo tenha mais facilidade para digerir e absorver a comida. Além disso, o ato de cozinhar elimina bactérias que podem fazer com que a gente fique doente.

Quer um exemplo? A salmonela é uma bactéria que se aloja nas galinhas e faz mal ao ser humano. Ela também pode ser encontrada na gema do ovo. Quando cozinhamos esses alimentos, o calor do fogo mata a bactéria. Por isso é tão perigoso ovos crus!

Como já falamos, o cozimento de boa parte dos alimentos é essencial para deixá-los mais saborosos, saudáveis, seguros e fáceis de ingerir. Ah, mas não se esqueçam: na hora de cozinhar, é preciso muito cuidado para não se queimar!

Carinho e memória

Você já sabe a importância de se alimentar bem. Afinal, saco vazio não para em pé! Comida, porém, não é só nutriente. A hora de comer também é muito importante para fica perto da família e dos amigos. Sentar à mesa é um ótimo momento para trocarmos carinho com quem a gente ama!

Além disso, os pratos especiais, que dividimos com pessoas especiais, ficam guardados em nossa memória para sempre. A gente carrega o alimento na barriga, e as boas lembranças, no coração.

Cientistas comprovaram que escolhemos a comida não só pelo valor nutritivo, mas porque elas nos levam a uma viagem cultural. E nos fazem lembrar a cidade onde moramos, a casa da vovó, o almoço de domingo em família ou a merenda com os amigos na escola.

Mônica Chaves Abdala é cientista e pesquisa a relação das pessoas com a comida. Segundo ela, nossos alimentos preferidos dizem muito sobre quem somos nós:

“A comida é muito mais que alimento. Por isso, em cada lugar do mundo, as pessoas fazem escolhas relacionadas à cultura local, ao clima ou à tradição familiar. Quando viajo para outra cidade ou país, fico desesperada para achar arroz e feijão!”.

Já reparou que as pessoas se juntam para comer? Ninguém gosta de se alimentar sozinho, e a comida é um ótimo motivo para a união. Segundo a cientista Luciana Patrícia de Morais, que estuda costumes e alimentação, as refeições nos ensinam que não estamos sozinhos no mundo.

“Ao lembrar de uma comida gostosa, pensamos em quem estava junto de nós. Ou na pessoa que fez a comidinha para comemorar um aniversário ou te ajudar a sarar de algo. Um prato pode nos fazer lembrar, com carinho, da vida e das pessoas que nos amam”, explica.

Tem artista na cozinha!

Quem nunca brincou de fazer uma carinha feliz com a comida que atire a primeira pedra! Macarrão se transforma em cabelo; azeitonas, em olhos; batata frita, em sorriso largo… Viu, só?! Comer também é divertido!

Agora, imagine um sushi em formato de tênis, um bolo que parece cubo mágico ou uma sobremesa tão bonita – e tão diferente! – que você não sabe se é para comer ou enfeitar! Imaginou? Pois bem… Essa maneira diferente de organizar os alimentos no prato tem um nome tão sofisticado quanto as comidas: food design. Quando alguém falar em “comer com os olhos”, é isso o quer dizer!

A nova onda entre os cozinheiros e chefs de cozinha serve para deixar a comida na memória. Você, certamente, não se esqueceria que comeu um sushi em formato de tênis, não é, mesmo? Com a técnica do food design, o cozinheiro tenta estimular nossos cinco sentidos (visão, olfato, audição, tato e paladar), ao usar os alimentos de maneira “estranha”, mas, no fundo, bem interessante!

Para construir um cubo mágico feito de bolo, por exemplo, o francês Cédric Grolet precisa pensar nas cores de cada pedacinho, no tamanho dos quadradinhos, nas diferentes texturas, e, é claro, no sabor da comida. Afinal, não adianta nada a guloseima ser bonita, mas nada gostosa!

Para entrar na moda do food design não basta apenas saber cozinhar: é preciso se preocupar com todas as características dos alimentos: sabor, valor nutricional, formato, cheiro, tamanho, textura, cor etc. Ou seja: é preciso ser um cientista-cozinheiro-artista!

Gostou dessa técnica? Então, agora, é a hora de você se aventurar na cozinha e criar pratos bonitos e gostosos! Lembrem-se de que quanto mais colorido, mais bonito será o prato. Para isso, abuse de frutas, verduras e legumes. (E, na cozinha, não se esqueçam de pedir ajuda a um adulto!)