Com certeza, você conhece a famosa história dos três porquinhos: o mais velho e mais esperto construiu uma casa forte, feita de tijolos, para se proteger do lobo mau. Agora, imagine que, em vez de um sopro forte, uma avalanche de lama atingisse um lar de verdade.

A construção poderia ser feita de madeira, de pedra, de qualquer coisa. Mas não resistiria, por mais que tenha sido levantada com todo carinho e cuidado.

Isso aconteceu na vida real, com dezenas de famílias que moravam num povoado chamado Bento Rodrigues, na cidade histórica de Mariana, a primeira capital de Minas Gerais.

Você também deve ter ouvido essa história, né? Afinal, foi o maior desastre ambiental já ocorrido no Brasil, e um dos maiores do mundo.

Há dois anos, no dia 5 de novembro de 2015, uma barragem  de rejeitos de mineração se rompeu e um mar de lama devastou casas, arrastou carros, caminhões e tudo mais que havia na frente – inclusive, 19 vidas humanas.

É uma história muito triste, mas que não pode ser esquecida: a lama era tanta que destruiu todo o povoado, e continuou a se espalhar, até chegar ao Rio Doce. O desastre matou milhões de peixes e plantas, acabou com nascentes, deixou cidades sem água potável.

E, como os rios correm para o mar, praias do Espírito Santo e do Sul da Bahia acabaram poluídas e tingidas de marrom. Já que a natureza demora para se recuperar, infelizmente, você vai crescer e, lá no futuro, ainda verá os efeitos de tudo isso.

Tijolos para recomeçar

tijolo

 

Começamos a conversar e eu falei de tijolos, lembra? Pois bem! Para ajudar a recuperação do meio ambiente, um cientista pensou em usar a lama do vazamento para produzir… tijolos! Ele se chama Fernando Lameiras e trabalha na área de Engenharia de Materiais, dentro do Centro de Desenvolvimento da Tecnologia Nuclear, o CDTN.

Normalmente, os tijolos são feitos de argila. Fernando explica, porém, que o material que vazou da barragem tem pouca argila e muita areia fina misturada à lama. “O desafio desse projeto é, justamente, fabricar um tijolo sem o uso de argila”, ele diz.

Então, a lama foi levada para o laboratório e misturada a um material também usado na fabricação do vidro, a barrilha. “Quando aquecida, junto à areia, a barrilha derrete a areia e forma uma liga que, ao esfriar, parece um tijolo”, conta Fernando.

Além dele, a cientista Mayare de Souza, da Universidade Federal de Ouro Preto, a Ufop, e um estudante de iniciação científica participam do projeto. Agora, eles precisam tornar o tijolo resistente, de acordo com as normas brasileiras.

Depois, a ideia é criar fábricas que gerem empregos, principalmente, para os trabalhadores afetados pela tragédia. Os tijolos também poderão ser usados em construções, até mesmo, de novas moradias para as pessoas que perderam suas casas.