Você já parou pra pensar por que sua maneira de falar não é a mesma das pessoas de outras regiões do País?

Essa diferença toda se deve ao sotaque, que está relacionado ao modo como pronunciamos as palavras e usamos as expressões.

O som e o ritmo da conversa contam o trajeto de cada ser humano, e apontam que tem muuuuuuita história por trás da linguagem!

Imitações

O Brasil é o quinto maior país em extensão territorial. Isso faz com que existam modos diferentes de falar a língua portuguesa.

Cada região conserva um jeitinho específico, transmitido de geração a geração. E as pessoas aprendem a falar, assim ou assado, por meio do quê? Da imitação!

Quem nasce em uma cidade passa a imitar os sons da língua de quem vive ali. No entanto, isso também se aplica a quem está em um local por muito tempo, pois a tendência natural é a de falar da mesma forma que as pessoas ao nosso redor.

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Mistureba boa!

A origem dos sotaques tem a ver com a história de formação de uma nação e de suas cidades, explica a professora Marina Assaid. Em 1500, o Brasil foi colonizado pelos lusitanos, que vinham de diferentes regiões e traziam a pronúncia da língua materna. O português, então, virou nosso idioma oficial.

Apesar disso, os índios, que já viviam aqui, tinham língua própria. Imagine só essa mistura! Mas tem mais: em vários outros momentos de nossa história, outros povos – africanos, italianos, alemães, japoneses e holandeses – chegaram em terras brasileiras. Com tanta gente diferente, os modos falar passaram a variar de região a região.

 O “mineirês”

Como fica Minas Gerais nessa história? Falo “dêsss lugarzim”, também conhecido pelos “uais”, “trens” e “sôs”, pelo “jeitim” cantado, e, claro, por palavras que vão se perdendo no meio do “camin… h… o”.

Aqui, é tão grande a diversidade de sotaques, que a gente reúne os modos de falar de todo o Brasil.

Para entender tanta variedade, há cientistas que se dedicam a estudar a formação e as diferenças dos modos de falar. A professora Maria do Carmo Viegas, da Universidade Federal de Minas Gerais, a UFMG, é uma delas. Esses estudos mostram que o sotaque mineiro é composto por quatro tipos de falas: “baiano”, a partir do Norte de Minas; “paulista” (Sul do Estado); “mineiro”, próprio da Zona da Mata e da região do Campo das Vertentes; e o “fluminense” (Leste).

Quer entender melhor, ainda? Vamos lá: o “baiano” tem maior abertura de vogais. A pessoa fala “cÓ-ração” e “sÉ-reno”, por exemplo, em vez de “cÔ-ração” e “sÊ-reno”. Já o mineirês “paulista” tem o “r” mais puxado, o que é chamado de retroflexo. Vou já ouviu alguém pronunciar “porrrrta” ou “carrrne”? Pois é!

Já o tipo “mineiro” diz arroz e paz como “arrois” e “pais”. E ele “costuma cumê o finalzim” das palavras. Por fim, o falar “fluminense” sofre influência do Rio de Janeiro, onde as pessoas “puxam” os sons de Ch, S e X: “trêisx”, “máisx”, “pasxtel”.

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“Minha pátria é minha língua”!

Ufa! Haja diversidade, né?! O importante é observar que não existem sotaques certos ou errados, melhores ou piores… Nem mesmo um jeito de falar que seja bonito ou feio.

Essas diferenças fazem parte da identidade dos povos. Marina Assaid lembra que “cada um deve assumir seu sotaque e se orgulhar dele, pois diz muito sobre nossas origens, sobre a história do lugar de onde viemos, sobre nossa cultura e identidade”.

Esse texto foi originalmente publicado na Revista Minas Faz Ciência Infantil 2017. Clique aqui e faça o download do PDF, é gratuito!