Imagine um ser vivo que tenha o superpoder de resistir a um incêndio. Um ser capaz de se desenvolver em um ambiente devastado pelo fogo. Tá parecendo história de filme de super-herói, num é? Mas, é só a história da Silva Manso (nome científico = Adenocalymma nodosum), uma planta muito resistente que vive no cerrado e se adapta muito bem a situações de perigo. Vamos conhecer essa plantinha?

Adenocalymma nodosum tem sua simetria analisada em pesquisa (Foto: Arquivo pessoal das pesquisadoras)

Adenocalymma nodosum tem sua simetria analisada em pesquisa (Foto: Arquivo pessoal das pesquisadoras)

Cientistas do Instituto de Biologia da Universidade Federal de Uberlândia (Inbio/UFU) e da Universidade Tecnológica do Paraná (UTFPR) descobriram o superpoder da Silva Amanso depois de várias pesquisas em campo. Vanessa Stefani e Denise Lange compararam o comportamento e adaptação de vegetais em ambientes de desmatamento e queima. O estudo teve apoio também de Andréia Vilela, Clébia Ferreira e Kleber Del-Claro.

Elas visitaram um ambiente de cerrado perto da cidade de Uberlândia, no Triângulo Mineiro, onde havia uma área atingida por queimadas e outra intacta. Assim, observaram que algumas plantas são adaptadas ambiente devastado, como é o caso da Silva Manso.

Resistente e ligeira

Essa é uma planta muito comum em campos de pastagem. Na biologia, ela é chamada de espécie pioneira porque surge após um momento de “estresse” do ambiente. Ela brota, cresce e se reproduz de forma muito rápida. Quer dizer que, além de resistente, a Silva Manso é ligeira? Sim!!

Os cientistas analisaram as flores e folhas da Silva Manso. Concluíram que ela se desenvolve de maneira saudável mesmo no ambiente queimado. Além disso, observaram que as plantas saudáveis atraiam mais os polinizadores, ou seja, insetos que visitam as plantas para espalhar o pólen e ajudar na reprodução. As abelhas são exemplos de polinizadores que visitam muito a Silva Manso.

Área que sofreu ações do fogo e foi estudada pelas pesquisadoras (Foto: Arquivo pessoal das pesquisadoras)

Área que sofreu ações do fogo e foi estudada pelas pesquisadoras (Foto: Arquivo pessoal das pesquisadoras)

Enfim, um trabalho conjunto dos insetos e da planta superpoderosa ajuda na reestruturação do ambiente atingido por incêndio. Existem outros animais que auxiliam na recuperação de áreas devastados pelo fogo. É o caso dos morcegos. Eles comem os frutos das plantas que restaram após um incêndio. Depois de ingerir esse alimento, os morcegos acabam liberando nas fezes sementes de plantas que caem no solo e podem germinar.

Os impactos do fogo

Apesar de o cerrado ser um bioma adaptável ao fogo, há grande quantidade de incêndios que nessas áreas naturais. Este é um problema grave para plantas e animais. Algumas espécies precisam de um intervalo de tempo grande para brotar novamente. Se ocorrem queimadas frequentes, fica difícil sobreviver. Muitas acabam desaparecendo.

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