Pesquisador explica a relação entre chuvas e risco geológico

Desde o ano passado, Minas Gerais enfrenta problemas causadas pelas chuvas; professor do Cefet-MG explica o porquê

Professor do Cefet explica relação entre chuvas e risco geológico (Ckirner / Pixabay)

Entre os meses de dezembro e fevereiro, Minas Gerais foi marcada pelos altos índices pluviométricos. Só em janeiro, Instituto Nacional de Meteorologia (INMET), registrou um valor quase três vezes maior que o volume previsto para aquele mês.

As chuvas fizeram estragos em todo Estado. Foram registradas pelo menos 55 mortes em decorrência das chuvas. A maioria delas foram casos de soterramento, desabamento e desmoronamento de terra.

Diante desse cenário, Evandro Carrusca de Oliveira, professor do curso de Engenharia Ambiental do CEFET-MG, explica o que são e por que ocorrem os riscos geológicos nos períodos de chuva.

Segundo ele, risco geológico é quando o risco ambiental (ou natural) está relacionado à vulnerabilidade de uma área associado a fenômenos de natureza geológica num dado momento.

Alguns exemplos são: erupções vulcânicas, deslizamentos ou escorregamentos de solo e avalanches de lama, quedas de blocos de rochas, assoreamentos, inundações e erosão.

Especificamente em Belo Horizonte, o risco geológico está associado aos escorregamentos de solos e rochas em encostas devido à saturação do solo pela chuva intensa.

De acordo com Carrusca, esse processo resulta na resultando destruição de habitações, vias públicas e outras estruturas e bens materiais, além de causar inundações ao longo das calhas de rios e córregos que cortam a cidade.

Sinais do risco geológico  

Os desastres causados pela chuva, sobretudo na capital mineira, estão, de certa maneira, atrelada ao risco geológico. Carrusca explica que devido ao relevo montanhoso de BH, há grandes desníveis topográficos na cidade.

Além disso, o índice de impermeabilização das vias públicas e terrenos habitados é muito significativo. Esses dois fatores geram as enxurradas de alto poder destrutivo.

O problema é acentuado nas comunidades, onde a ocupação urbana não segue a geologia local. Nesses locais, as intervenções antrópicas favorecem o aumento de risco geológico. Por isso, após períodos de chuva forte, os moradores devem ficar atentos aos sinais de desabamento.

O professor explica que no caso de moradia próxima a barrancos de terra, é preciso observar, por exemplo, qualquer trinca ou fenda no terreno ou nas construções. Também deve-se notar se a água da enxurrada está infiltrando em algum local específico, se há árvores ou mourões de cerca com inclinações recentes nas proximidades.

A existência de corrimento de solo fino nas enxurradas, estalos em estruturas rígidas ou no barranco e água brotando no talude próximo também são indícios.

“No caso de moradias em margens da bacia hidrográfica, deve-se acompanhar as informações sobre a situação climática em sua região e na região a montante da casa. Muitas vezes, próximo à moradia não está chovendo, mas nas cabeceiras do córrego chove com muita intensidade, acarretando inundações nas partes mais baixas. A principal recomendação é acionar com urgência e de forma preventiva a Defesa Civil ou outro órgão credenciado para esse atendimento”, comenta Carrusca.

 

Com informações da Secretaria de Comunicação Social (SECOM) do Centro Federal de Educação Tecnológica de Minas Gerais (CEFET-MG).

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