Bactérias no combate a fungos da banana

O cultivo da banana é muito importante no Norte de Minas Gerais, porém, assim como todas as plantações, está suscetível aos problemas que atrapalham o seu crescimento adequado. Um empecilho comum nos bananais são os fungos e nematoides. Diante disso, buscando construir formas de amenizar esse problema, pesquisadores da Universidade Estadual de Montes Claros (Unimontes) estão pesquisando o uso de bactérias no combate a fungos.

O estudo Biaumentação de antagonistas na rizosfera de bananeira como estratégia de manejo do complexo Fusarium spp. x nematoide em bananeira é coordenado pela professora Adelica Aparecida Xavier e conta com o apoiado da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de Minas Gerais (FAPEMIG).

Segundo Adelica Xavier, a murcha de fusarium é uma doença que ocorre de forma natural em todos os bananais onde se cultiva bananas do tipo Prata ou Maça no Brasil. Este problema inicia-se no sistema radicular da planta e em solos onde há também a presença de nematoide.

A pesquisadora destaca que os danos podem causar uma quebra na produção econômica bastante significativa. “Estes patógenos, uma vez presente no solo, são muito difíceis de reduzir ou erradicar”, informa.

Diante disso, Xavier resolveu estudar técnicas que visam a diminuir o risco de infecção por estes patógenos. E foi nas bactérias que a equipe descobriu uma forma de combater os danos causados pelo fungo Fusarium oxysporum f. sp. cubense causador da ‘murcha de fusarium´ e de Meloidogyne spp

Desenvolvimento

Para isso, os pesquisadores selecionaram bactérias endofíticas, com múltiplas competências como “melhor enraizamento, produção de hormônios e controle de nematoides”, conta a coordenadora. Porém, a escolha por elas se deu, apenas, após 10 anos de trabalho e inúmeros estudos.

“Trabalhamos com várias bactérias para conhecer qual delas era mais eficiente e que poderiam estabelecer uma relação com a planta realizando o controle biológico“, lembra a coordenadora.

Após a escolha, a ideia da equipe foi descobrir se as bactérias conseguiriam agir mesmo estando na raiz da bananeira. “Conseguiu reduzir uns 92% de lesões do fungo. Além disso, tivemos uma redução de até 50% da severidade do fungo, o que é bem significativo”, ressalta.

Outro ganho da tecnologia é que ela pode não apenas proteger a planta adulta, mas também melhorar a qualidade da muda e sua performance no campo nas suas primeiras fases de desenvolvimento. “No momento do plantio da muda, se porventura o solo estiver contaminado, a bactéria já a protegerá, por exemplo”.

Adelica Xavier conta que a pesquisa ainda não está finalizada, porém se destaca por tentar posicionar a tecnologia de aplicação, inferindo sobre quanto, quando e como aplicar.

“Precisamos fazer mais alguns trabalhos, mas já estamos evoluindo e caminhando para o posicionamento desta tecnologia para a cultura da banana”, finaliza.

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