Pesquisa visa otimizar distribuição de mamógrafos brasileiros

O câncer de mama é o segundo mais prevalente na população feminina. Para se ter uma ideia, o Instituto Nacional de Câncer (INCA) estima que foram registrados 59.700 novos casos no Brasil só em 2018.

Em Minas Gerais, a Secretaria de Estado da Saúde (SES/MG) estima que já foram registrados 1.868 diagnósticos no SUS só neste ano.

Diante dessa prevalência foi criado, em 1990, o movimento internacional de conscientização para o controle do câncer de mama, o Outubro Rosa. A campanha busca divulgar a importância de se detectar, precocemente, o tumor.

Assim, com o intuito de tornar o diagnóstico por mamógrafos mais acessível, pesquisadores da Universidade Federal de Ouro Preto (UFOP), estão desenvolvendo um relatório nacional para auxiliar os gestores públicos na distribuição de novos mamógrafos. O estudo é apoiado pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de Minas Gerais (FAPEMIG) e pelo Conselho Nacional de Desenvolvimento Cientifico e Tecnológico (CNPq).

Segundo o coordenador da pesquisa, Marcone Jamilson Freitas Souza, estudos realizados nos Estados brasileiros apontam que há, de fato, falhas na atual distribuição dos equipamentos. Ou seja, algumas regiões possuem mais equipamentos do que o necessário, e outras menos.

“Desse modo, fizemos um modelo de programação matemática para representar o problema, a fim de avaliar vários cenários possíveis, inclusive, considerando a aquisição de mais mamógrafos”, informa o pesquisador.

Mamógrafos no Brasil

A pesquisa Localização de equipamentos de mamografia no Brasil: avaliação da rede de oferta e estudo de propostas para novos investimentos começou no início desse ano e está sendo realizada em todos os Estados brasileiros. De acordo com Marcone Souza, apesar do início recente, a equipe já possui alguns resultados parciais.

“Por exemplo, no Espirito Santo, verificamos que há 30 mamógrafos em 78 cidades. Porém, a atual localização dos equipamentos não atende toda a demanda. Análises preliminares apontam que seria preciso mais 18 ”, conta.

Em Minas Gerais, o estudo ainda está em fase introdutória. Marcone Souza lembra que Minas é o maior Estado da Federação, com 853 municípios.

mamógrafos câncer mama
Imagem meramente ilustrativa. Foto: Governo do Estado de São Paulo

Como resultado, a equipe ainda não teve a oportunidade de utilizar dados reais de deslocamento, mas apenas de distâncias aproximadas. Contudo, o pesquisador adianta que já foram identificados problemas na atual localização dos 310 mamógrafos mineiros.

Além de Marcone Souza, o estudo conta com a participação dos professores Haroldo Gambini Santos e Puca Huachi Vaz Penna, também da Ufop. Há, ainda, a contribuição de Janne Cavalcante Monteiro e Mailene Rodrigues Lisboa da Unir, Pedro Vasconcelos Maia do Amaral da UFMG e Sérgio Ricardo de Souza do Cefet/MG.

Para além dos hospitais

Outro problema identificado na pesquisa é a distância. O pesquisador Marcone Souza conta que estudos mostram que muitos exames de mamografia não são realizados em virtude da distância da residência da mulher aos postos de atendimento.

Segundo o coordenador, isso pode ser combatido com uma distribuição mais racional dos mamógrafos, “Pois possibilita que as mulheres tenham condições reais de realizarem o exame e, assim, reduzir o número de mortes por câncer de mama”, afirma.

O professor destaca, porém, que por mais cálculos que se faça, existem municípios que não contam com a estrutura adequada para sediar um mamógrafo.

Segundo o professor, o equipamento demanda uma infraestrutura hospitalar. “Se não tiver, não adianta. Pode querer comprar mais mamógrafos para o Estado, mas não se justifica, economicamente, instala-los com a baixa taxa de utilização”, informa.

A solução sugerida foi a produção de roteiros para carretas de mamografia. A ideia é fazer um roteiro com as cidades que não possuem estrutura e ficam muito longe das que podem atender – principalmente as menores, cuja a demanda por exames é pequena – para identificar a melhor rota para a carreta.

“Sabemos que não conseguiremos cobrir todas as cidades apenas com os mamógrafos fixos. Dessa forma, também, produziremos roteiros para as cidades não cobertas pelos equipamentos e, assim, utilizar carretas de mamografia, a fim de proporcionar atendimento a todo mundo”, resume Marcone Souza.

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