Sistema auxilia análise de desempenho no futebol

Recursos de vídeo marcam cada vez mais o universo esportivo. Não só pela distribuição de conteúdo ou pela presença emergente do VAR, o árbitro assistente de vídeo, nas partidas de futebol. Vídeos são usados nos bastidores: pela comissão técnica e analistas táticos. Esses profissionais veem e reveem jogos e treinos por meio de gravações. Coletam dados e informações para entender o que funciona e o que não funciona, para reforçar estratégias e criar novos planos de ação.

É nesse setor que atua um dos projetos vencedores do programa Acelera Startup, promovido pela Federação Paulista de Futebol (FPF), com o apoio da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp). A Gravol Sports, startup mineira em estágio inicial, desenvolveu um sistema voltado para a análise de desempenho no futebol.

Foto: Divulgação

“Hoje, no geral, nós ajudamos na coleta e na organização desses dados. Mais para frente, nosso objetivo é trabalhar com visão computacional e inteligência artificial”, conta Arthur Araújo Ribeiro, estudante de Engenharia Mecânica da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) e fundador da startup.

Confira, no Ondas da Ciência!

Ferramenta de coleta de dados

O sistema desenvolvido pela startup mineira é voltado para comissões técnicas, treinadores, assistentes e analistas. Usando a ferramenta, eles podem marcar nos vídeos o que aconteceu no jogo: finalizações, passes e posse de bola, por exemplo. Cada marcação é cortada da gravação original e disponibilizada como vídeos curtos.

“Nosso software ajuda esse profissional a transformar o vídeo em dados”, explica Arthur Ribeiro. O processo otimiza o tempo da comissão técnica e da gerência de futebol na análise de jogos e treinos. Produz-se uma base de dados com estatísticas e vídeos de cada atleta.

Para os pequenos e médios times de futebol

O sistema, que tem previsão de lançamento ainda em 2019, é focado nos times profissionais de pequeno e médio porte. O produto também pode ser usado por equipes amadoras e por diferentes modalidades esportivas, além do futebol.

“É um mercado muito carente de soluções. Clubes maiores, de série A, usam sistemas caríssimos que também demandam uma infraestrutura mais elaborada, um computador de alto desempenho. Então esses softwares ficam inviáveis para a grande maioria dos times, que acabam utilizando sistemas mais antigos, com interfaces ultrapassadas”, diz Ribeiro

Clubes de futebol e analistas de desempenho são parceiros da startup e ajudarão a validar a ferramenta. É o cado do Maringá Futebol Clube, do Paraná, e de Júlio César Resende, analista de desempenho do time feminino do Santos.

Próximos passos: visão computacional

“Eu comecei com essa ideia em 2018, mas era um projeto de gravação de pelada, de campeonato amador. Na época, eu mesmo gravava. Mas vi que não estava resolvendo um problema desses clientes”, conta Ribeiro. O projeto se estruturou durante uma passagem de Arthur pelos Estados Unidos. O estudante estudou um semestre na Universidade da Califórnia, por meio do programa Startup Semester, parte de um convênio com a Escola de Engenharia da UFMG.

Em uma disciplina voltada para uso de tecnologias no esporte, ele começou a planejar e a desenvolver o software. Agora, além do lançamento e validação do produto, os objetivos da startup são de aproximar o sistema da visão computacional. “A ideia é que além desse processo manual de coleta de dados a partir dos vídeos, a gente consiga usar inteligência artificial e coletar dados automaticamente”, explica o estudante.

Com visão computacional, o sistema seria capaz de agregar novos dados aos vídeos. Por exemplo, dizer se uma finalização foi feita com a perna esquerda ou direita, se foi batida de dentro ou de fora da área ou se havia algum adversário perto do atacante. “São dados que são muito custosos para o treinador marcar em todo lance. Então nós geraríamos mais dados, importantes tanto para melhorar o processo do treinador, quanto para a gerência de futebol, na hora de negociar um atleta”, diz Ribeiro.

A equipe da Gravol Sports também é formada pelos engenheiros da computação Frederico Duarte e Geraldo Milholo.

Veja como funciona a ferramenta desenvolvida pela startup no vídeo abaixo:

Compartilhe nas redes sociais
0Shares
Tags: ,

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *