Desenvolvida nova tecnologia para tratar a acne

Para se livrar dos cravos e espinhas, muitas pessoas recorrem à farmácia. Diversos tratamentos estão disponíveis: existem opções de cremes, géis, sabonetes e antibióticos orais no mercado. O ácido retinoico é um dos principais compostos usados no combate à acne.

Mas produtos que contém a substância têm como reações adversas
vermelhidão, descamação, sensação de ardência e ressecamento. Pesquisadores da Faculdade de Farmácia da UFMG desenvolveram nova composição farmacêutica para o tratamento da acne. O objetivo é reduzir a irritação causada pelo ácido retinoico em contato direto com a pele.

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O processo da acne

A acne é um processo inflamatório que ocorre quando as glândulas sebáceas e os folículos pilossebáceos são obstruídos por óleo e células mortas da pele. No processo de renovação celular da pele, os queratinócitos (células que formam as camadas da epiderme) passam por um processo de descamação e são substituídas por novas células. Na acne, o desprendimento dos queratinócitos é alterado.

“Ocorre o acúmulo de queratinócitos na unidade pilossebácea. Isso cria um um ambiente mais anaeróbico, que favorece o aumento da colonização da P. acnes”, explica Gisele Goulart, pesquisadora da Faculdade de Farmácia da UFMG.

A Propionibacterium acnes (P. acnes) é a principal bactéria envolvida na patogênese da acne. Promove a inflamação dos folículos pilosos (estruturas que dão origem aos pelos), causando as espinhas. “Todos esses agentes vão gerando um quadro de inflamação que é muito característico”, completa a professora.

O ácido retinoico regula o processo de renovação celular e promove a aeração do sistema, o que controla a colonização da P. acnes, até a pele voltar a um estado normal. “Mas as reações adversas levam muitos pacientes a desistirem do tratamento”, diz Gisele Goulart.

Nova tecnologia para veicular o ácido retinoico

A ideia do estudo desenvolvido na UFMG foi encapsular o ácido retinóico dentro de uma partícula lipídica. É uma tecnologia que transforma como o composto é veiculado. Nas formulações convencionais, o fármaco fica livre, molecularmente disperso no produto, o que faz com que entre em contato direto com a pele.

“Quando a gente coloca o fármaco em uma nanopartícula, a formulação adquire uma propriedade chamada adesividade. Essa nanopartícula se encaixa melhor na estrutura da pele e fica ali retida, inclusive no folículo pilossebáceo, foco de ação da acne”, explica Goulart.

O fármaco é liberado lentamente e não entra em contato direto com a pele. “Assim eu diminuo a irritação e não comprometo a eficácia, porque o ativo vai ficar retido e ser liberado continuamente. Eu ganho muito em segurança e não perco nada em eficácia”, afirma a professora.

O ácido retinoico não é solubilizado em água. Normalmente, é misturado em álcool e depois incorporado na formulação. Por isso, produtos à base de ácido retinoico possuem também álcool em sua composição. A nova tecnologia permite que o composto seja suspenso em veículo aquoso, que é menos agressivo para a pele que o álcool, uma substância desidratante.

“A tecnologia pode ser aplicada em creme, gel, pomada. Mas a ideia é que ela seja veiculada em bases mais suaves, para ir de encontro a um mercado que não existe, em função dessa limitação com a solubilização”, diz Goulart. A tecnologia foi patenteada em abril de 2019 e já está disponível para empresas que tenham interesse em utilizá-la.

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