Interações entre música e cérebro

Sons ambientam, despertam sensações, expectativas e convocam memórias. Como a música interage com o cérebro? Esse foi o tema da oficina Neurociência Encanta na 5ª edição da Semana do Cérebro, evento que aconteceu no mês de março na UFMG.

Daniel Augusto Machado, doutorando da Escola de Música,  apresentou elementos da linguagem musical e discutiu sensações provocadas pelos sons. E os pesquisadores Grace Schenatto, do Departamento de Fisiologia e Biofísica da UFMG, e Alan Gusmão, mestrando em Neurociências, discutiram possíveis interseções desses elementos com o cérebro.

Ondas da Ciência

Confira, nesse Ondas da Ciência, exemplos e uma reflexão sobre os elementos da linguagem musical e os efeitos da nossa percepção da música.

Elementos da linguagem musical

Ritmo, melodia, harmonia, timbre, forma e textura. Conheça os elementos que compõem a música.

Ritmo: Nasce da acentuação. São diferentes modos pelos quais o som se agrupa.

Melodia: É uma sequencia de notas de diferentes sons organizadas de uma dada forma a fazer sentido musical para quem escuta.

Harmonia: É o encontro de vozes. Ocorre quando duas ou mais notas de diferentes sons são ouvidas ao mesmo tempo, produzindo um acorde. A sequência de acordes configura uma harmonia.

Timbre: É a particularidade do som de cada instrumento musical. É conhecido como a cor do som.

Forma: Descreve o projeto ou a configuração básica de que um compositor pode valer-se para moldar ou desenvolver uma obra musical.

Textura: Descreve o aspecto como as linhas melódicas, ou vozes, se entrelaçam, como uma trama, em uma composição musical.

Quer saber mais? O Ondas da Ciência traz exemplos sonoros para cada elemento.

Escala pentatônica

Escala é uma sucessão ascendente e descendente de notas diferentes consecutivas. Segundo Daniel Machado, a escala pentatônica é a que mais aparece nas melodias populares. Inúmeras outras escalas têm a pentatônica como base, o que parece explicar a sua fácil assimilação. Para exemplificar, na oficina, o pesquisador apresentou um trecho da conferência Notas e Neurônios, no World Science Festival, de 2009. Veja abaixo:

“Essa escala ativa porções muito específicas da nossa membrana basilar, no ouvido interno. Cada faixa dessa membrana responde a uma frequência de som ao longo de toda via auditiva, e isso vai se repetindo até chegar ao córtex primário. Isso traz essa familiaridade, essa sensação de eu sei o que está acontecendo”, explica Grace Schenatto.

O pesquisador Alan Gusmão lembra que a nossa cultura e nossas experiências exercem papeis importante em determinar essa familiaridade. “Há a questão da memória musical e das experiencias que temos desde a infância, para dar significado para sons. A gente acaba definindo o que é triste ou o que é alegre por esse conjunto de memórias”, diz.

Pontos de discussão: música e cérebro

Para Grace Schenatto, a música faz parte da experiencia de vida de cada um. Uma mesma canção não necessariamente desencadeia respostas iguais para cada indivíduo. “A gente expressa emoção sob a forma de comportamento e também de respostas autonômicas. Quando começou a música do Tubarão (filme de Steven Spielberg, lançado em 1975), eu senti meu coração acelerar. Esse acelerar do coração foi uma resposta autonômica ao conteúdo emocional a que fui exposta”, conta.

A pesquisadora abordou também a relação da música com a memória. “Eu vejo a música como uma dica para você resgatar uma memória que estava nos seus arquivos. E esse resgate é capaz de desencadear emoções. É a música como um componente de um contexto em que você aprende alguma coisa”, reflete Schenatto. A professora contou se emocionar ao ouvir o Tema da Vitória, composição instrumental que ficou marcada pelas vitórias do corredor Ayrton Senna, na Fórmula 1. “Isso aconteceu pelo contexto de assistir Fórmula 1 com meu pai nas manhãs de domingo”, lembra.

Para Schenatto, nesses casos a resposta à música se dá por um aprendizado, pelo resgate da inserção dos sons em um contexto. “Mas quando é uma música que você nunca ouviu, e que você ouve e sente algo, é um pouco mais difícil da ciência explicar o que acontece completamente. Algumas melodias desencadeiam algumas respostas, a depender da cultura”, diz.

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