Toxicidade de resíduos da indústria do alumínio

Os impactos causados pelo descarte inadequado de resíduos sólidos têm sido uma grande preocupação ambiental nas últimas décadas. Na indústria do alumínio, um dos resíduos gerados é o SPL, sigla em inglês para Spent Pot Lining, ou Revestimento Gasto das Cubas.

O resíduo é estudado pela pesquisadora Larissa Fonseca Andrade Vieira, do Departamento de Biologia da Universidade Federal de Lavras (UFLA). “As cubas usadas para eletrólise da bauxita têm que ser revestidas, para gerar o potencial necessário no processo. O SPL é o revestimento dessas cubas de redução da alumina e da bauxita que já foram gastos”, explica a professora. Ao demolir essas cubas, é formado e descartado o SPL.

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Efeitos tóxicos do SPL

Larissa Vieira é coordenadora de uma pesquisa sobre os efeitos biológicos provocados pelo SPL. O grupo trabalha com modelos vegetais para poder verificar o potencial efeito tóxico de elementos que são lançados no ambiente. Alguns dos vegetais usados nos estudos são cebola, alface, cevada e milho.

Área onde ocorria lixiviação do SPL

Foram feitos estudos em relação ao desenvolvimento inicial desses modelos vegetais, sobre a germinação e o crescimento. Depois, foram conduzidos ensaios observando alterações no ciclo celular, sobre o risco de fragmentação de DNA. “Já é um modelo muito organizado para esse fim. No inicio a gente trabalhava com um bulbo de cebola. Simulava a lixiviação do SPL, que foi o que tinha sido observado no ambiente. Colocava esse bulbo em contato com diferentes concentrações do lixiviado”, conta Vieira. Também foram feitos estudos com o peixe Zebrafish.

Com os modelos vegetais, o SPL em concentrações altas, próximas de 100 g/L, inibiu completamente a geminação. Em concentrações mais baixas, de 10 a 80 g/L, à medida em que a concentração era aumentada, o crescimento da planta diminuía.

Em todos os testes realizados, o lixiviado do SPL causou alterações e danos na molécula de DNA. Utilizando doses baixas do composto, os pesquisadores identificaram fragmentação do DNA, que pode ser herdada entre as gerações celulares e comprometer as células. As anormalidades no ciclo celular também foram encontradas em testes realizados com sangue humano.

SPL na indústria

“O alerta do nosso trabalho foi mostrar que esse tipo de resíduo não pode ser jogado no ambiente”, diz Vieira. Indústrias passaram, com as evidências apresentadas pelos pesquisadores, a tomar providencias. “A gente já não encontra mais esse tipo de situação. De 15 anos pra cá, já existem depósitos controlados para o SPL”, afirma.

Segundo a pesquisadora, existem muitos estudos em desenvolvimento sobre a utilização desse resíduo como matéria prima em outros processos, como na fabricação de cimento. Estima-se que cerca de 1 milhão de toneladas de SPL são produzidas anualmente no mundo. “Como é gerado muito, fica complicado até mesmo colocar em um depósito esse material. É preciso achar uma solução, um uso para esse resíduo”, reflete Vieira.

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