Em 1869, o químico russo Dimitri Mendeleev organizou os elementos químicos na primeira versão reconhecida da Tabela Periódica. Passados 150 anos, e como forma de reconhecimento a esse modelo, a Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco) determinou que 2019 é o Ano Internacional da Tabela Periódica dos Elementos Químicos.

“É o reconhecimento da importância desse modelo de racionalizar fenômenos da natureza. E é um certo reconhecimento ao trabalho da Química, porque a Tabela Periódica é o maior símbolo do trabalho desse campo da ciência. Todo espaço em que se discute química tem uma Tabela Periódica fixada na parede”, diz Teodorico de Castro Ramalho, professor do Departamento de Química da Universidade Federal de Lavras (UFLA).

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A Tabela Periódica

A Tabela Periódica ordena os elementos químicos segundo números atômicos, configuração eletrônica e recorrência das propriedades periódicas. É uma forma de organizar todos os elementos químicos de acordo com suas propriedades, apresentando tendências periódicas. “Entender diversos conteúdos da química exige um certo grau de abstração. Visualizando a Tabela Periódica, fica claro que existe uma racionalização, uma sistematização da natureza”, explica Ramalho.

A tabela conta com todos os elementos químicos descobertos pelo ser humano. Fornece informações sobre o estado físico à temperatura ambiente, classifica os elementos em metais, metalóides e ametais, de acordo com suas propriedades, e possibilita entender melhor ligações químicas e como formam-se as moléculas. “Com isso, teve um grande impacto em relação ao desenvolvimento de tecnologias. A Tabela Periódica pode ser usada para deduzir as relações entre propriedades e elementos químicos. Ela pode prever as propriedades de novos elementos ainda não descobertos, além de analisar e prever o comportamento de átomos e moléculas”, afirma o professor.

Hoje, a Tabela Periódica tem 118 elementos, sendo que os 92 primeiros são encontrados na superfície da Terra. Do 93 ao 118, os elementos foram sintetizados em laboratório. “Ainda hoje, há uma pesquisa intensa para desenvolver novos elementos químicos. Existe a previsão de síntese do elemento 119 para os próximos dois anos”, diz Teodorico Ramaho. Quando criados, mesmo que por frações de segundo, os dados sobre os novos elementos são levados para a União Internacional de Química Pura e Aplicada (IUPAC). A IUPAC valida os experimentos e inclui os novos elementos na Tabela Periódica.

História: propostas de organização dos elementos químicos

Apesar de existirem conhecimentos sobre elementos químicos como ouro, prata, estanho, cobre, chumbo e mercúrio desde a antiguidade, apenas em 1669 foi descoberto e reconhecido cientificamente um elemento químico: o fósforo. A partir de então, diversos elementos foram descobertos. “Passados 200 anos e com o aumento do número de elementos químicos, tornou-se necessária a sistematização desse conhecimento. Vieram várias propostas para isso”, conta Teodorico Ramalho.

Tríades

Desenvolvida por Johann Wolfgang Döbereiner, em 1817, a primeira proposta aceita pela comunidade científica foi a das Tríades. Os elementos com propriedades semelhantes, que reagiam de maneira semelhante a outros elementos, eram organizados em grupos de três, separados pela massa atômica.

Parafuso Telúrico

Em 1866 uma nova classificação emergiu entre cientistas. Criado por Alexandre Béguyer de Chancourtois, o modelo do Parafuso Telúrico agrupava os elementos químicos em uma espiral, em ordem decrescente de massa atômica. Os elementos com características semelhantes ficavam um embaixo do outro. “Essa proposta foi utilizada por algum tempo, mas não conseguia-se classificar e inserir novos elementos químicos descobertos”, explica Ramalho.

Lei das Oitavas

Surgiu então a Lei das Oitavas, proposta por John Newlands, em 1864. Ele agrupou os elementos químicos de sete em sete, em ordem crescente de massa atômica, e observou que o primeiro elemento tinha propriedades semelhantes ao oitavo, e assim por diante. “Foi um grande avanço, entretanto, ela falhou no seguinte: nenhuma regra numérica foi encontrada para que se pudesse organizar completamente os elementos químicos. Elementos químicos próximos não tinham tanto a ver. Então essa classificação foi abandonada”, conta o professor da UFLA.

Tabela de Mendeleev

A primeira versão da tabela periódica, publicada por Mendeleev em 1869, demonstrou as tendências periódicas dos elementos até então conhecidos e deixou espaços para outros que ainda seriam descobertos. O químico propôs classificar os elementos por ordem crescente de massas atômicas, distribuídos em 8 colunas e 12 faixas horizontais. “Ele foi tão genial que as propriedades de elementos químicos descobertos depois batiam com o que Mendeleev havia proposto”, afirma Ramalho. A Tabela Periódica atual é baseada na de Mendeleev.