A produtividade do grão-de-bico no semiárido do Norte de Minas Gerais é quase cinco vezes maior que a média mundial. É o que mostrou uma pesquisa conduzida no Instituto de Ciências Agrárias (ICA) da UFMG, pelo professor Cândido Alves da Costa. “A produtividade média mundial é de aproximadamente 1.200 kg por hectare. Nos nossos ensaios, chegamos a 5.200 kg por hectare”, conta o pesquisador.

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Mercado para o grão-de-bico

Rico em fibras e proteínas, o grão-de-bico vem ganhando espaço no mercado nacional. Hoje, o brasileiro consome cerca de 8 mil toneladas da leguminosa por ano. Apesar disso, é uma cultura nova no agronegócio brasileiro. Os primeiros plantios comerciais foram feitos em 2016, em Goiás. Hoje, a leguminosa é cultivada também no Distrito Federal, no Mato Grosso, em Minas Gerais e na Bahia.

A demanda por informações técnico-cientificas para a cultura do grão-de-bico, aliada à necessidade de diversificação das culturas no Norte de Minas Gerais, incentivou a pesquisa desenvolvida no ICA UFMG. “A tendência é aumentar cada vez mais a produção, pois é uma commoditie, além do consumo interno que é crescente. Os grãos possuem ainda alto valor nutritivo e são bastante valorizados”, afirma Cândido Alves da Costa.

Segundo o pesquisador, há uma grande demanda pelo grão de bico em outros países. “Então é um produto que rapidamente entra na via de exportação. Comparativamente à cultura do feijão, o grão-de-bico possui um menor preço de produção e quase o dobro do preço de prateleira”, diz.

Adaptação no Norte de Minas Gerais

O primeiro passo da pesquisa foi estabelecer a melhor época de plantio da leguminosa na região. Para isso, foram feitos ensaios em Montes Claros, Janaúba e Januária, em épocas diferentes e com sementes de alto vigor. Os pesquisadores analisaram o desenvolvimento da cultura, da semeadura à colheita. Os resultados foram melhores para o plantio em períodos de temperaturas amenas com um pouco de umidade, com sua maturação e colheita no inverno, durante a seca.

A agricultura no Norte de Minas Gerais é basicamente irrigada, especialmente no período do inverno. Assim, a cultura do grão-de-bico surge como interessante alternativa ao produtor, por não demandar muita água no seu ciclo. “Há de se ressaltar ainda as possibilidades de transformação do grão-de-bico na indústria alimentícia. Por exemplo, enlatados, embalados, pré-cozidos, petiscos, farinhas e pastas, entre outros. Isso que abriria o leque de possibilidades de comercialização para o produtor”, lembra Cândido da Costa.

Características do grão-de-bico

  • Planta leguminosa pertencente ao grupo Pulses, que engloba as sementes secas de plantas leguminosas como ervilha, lentilha e feijão;
  • Originário do Oriente Médio, mais precisamente das regiões da Síria e da Turquia;
  • Planta de clima frio e seco, mas que se adapta em em regiões de clima tropical, especialmente no o inverno;
  • Apresenta uma cultura rústica, exigindo menor quantidade de água que outras leguminosas, com ocorrência de poucas pragas e doenças;
  • O ciclo da cultura é de aproximadamente 120 dias.