A missão é ensinar, em apenas 3 minutos e de forma criativa, agradável e precisa, conceitos complexos de física, matemática ou ciências naturais. Esse foi o desafio aceito pelo aluno da 2ª Série do Ensino Médio do Loyola, Diogo Afonso Leitão, 16 anos, ao se inscrever no Breakthrough Junior Challenge, uma competição global de vídeos originais e inovadores destinada a estudantes de 13 a 18 anos.

O vídeo de Diogo, “Quantum Tunneling & Superposition”, foi selecionado para a semifinal da competição, integrando a lista de 30 vídeos que se destacaram entre mais de 2,5 mil inscritos de todos os continentes. Esta é a terceira vez consecutiva que o participante brasileiro alcança essa fase da competição.

O estudante que for classificado em 1º lugar no prêmio receberá uma bolsa de estudos no valor de US$250 mil, a escola de origem receberá US$100 mil para investimento nas instalações dos laboratórios de ciência, e o professor indicado pelo participante receberá US$50 mil.

Segundo  acredita Diogo, a ciência é responsável por moldar o mundo . Ele lembra que o estudo de semicondutores por exemplo, permitiu a criação de tecnologias incontáveis como a televisão, computadores pessoais, celulares e internet. Com isso, para ele, o aprendizado da ciência se mostra essencial para inspirar outros jovens tanto para seguirem carreira científica,quanto para reconhecer o papel científico na sociedade. “A busca constante pela investigação da realidade e de acreditar somente naquilo que apontam evidências. Aprender ciência é , portanto, descobrir como interpretar o mundo”, afirma.

Link do vídeo: https://www.facebook.com/BreakthroughPrize/videos/2195091140711754/

 

Menino prodígio 

O mundo dos vídeos sobre conceitos científicos não é estranho para Diogo. Em 2015, quando estava no 8º Ano, ele criou um canal de vídeos no YouTube para compartilhar curiosidades sobre ciências. O objetivo era “estimular as pessoas a buscarem o saber da ciência e fazer com que se apaixonem por ela”. Neste mesmo ano, recebeu o certificado de medalha de ouro na Copa Brasil de Matemática, Mangahigh.

Já em 2016, no 9º Ano, ele recebeu medalha de prata na segunda Copa Brasil de Matemática e foi finalista do Breakthrough Junior Challenge, ficando entre os 15 melhores desta competição global. Atualmente, o Portal da Ciência (https://www.youtube.com/channel/UC4iI8T1vfJuLDnHlAzBta1g), que conta com 57 mil inscritos e quase 2 milhões de visualizações, aborda temas de física, astronomia, matemática e até ciências políticas. “Escolho os temas baseado no quão complexos, relevantes e fascinantes eles são. Afinal, o espírito da ciência é desbravar o desconhecido, e são nos temas mais difíceis que se encontram as verdades mais surpreendentes.”

Diogo explica que a participação no Breakthrough Junior Challenge é uma oportunidade única para ampliar a popularização dos conhecimentos científicos. “Fico muito honrado por representar o Brasil, mas também decepcionado por ser o único. Isso é reflexo de uma desvalorização da ciência em nosso país. E, em minha concepção, não há desenvolvimento sem ciência e sem a democratização do conhecimento. Caso eu consiga esta bolsa de estudos, pretendo estudar Ciências Políticas nos EUA para, depois, retornar ao Brasil. Essa escolha se baseia no sonho de ajudar no desenvolvimento do país e, principalmente, na valorização da pesquisa e dos professores”, esclarece o estudante de 16 anos.

Prêmio 

Criado em 2012 por meio da parceria entre Sergey Brin e Anne Wojcicki, Yuri e Julia Milner, além de Mark Zuckerberg e Priscilla Chan, o Breakthrough Prize é um prêmio anual para feitos relevantes nas áreas de ciências naturais, física e matemática. Em 2015, foi criado o Breakthrough Junior Challenge, a partir de recursos disponibilizados por Mark Zuckerberg (Silicon Valley Community Foundation) e pela Milner Global Foundation, com o objetivo de desenvolver o conhecimento dos jovens e promover a escolha de carreiras científicas, além de estimular a imaginação e o interesse do público em geral por conceitos fundamentais da ciência.

A estudante Hillary Diane Andales, de 18 anos, da cidade de Tacloban, nas Filipinas, foi a vencedora do ano passado, com um vídeo sobre a teoria da relatividade e a equivalência de referenciais. Hilary usará o dinheiro recebido para estudar física na universidade e deseja escrever mais sobre ciência, para despertar o interesse de leigos pelo assunto.

Em 2017, a competição recebeu mais de 11 mil inscrições válidas de 178 países, incluindo Brasil, Estados Unidos, Índia, México, Canadá, Reino Unido, Austrália, China, Japão, Emirados Árabes Unidos, Arábia Saudita, Tailândia, Turquia, Vietnam, Noruega, França, Israel e Peru. Entre os parceiros do prêmio estão a Khan Academy, a Cold Spring Harbor Laboratory (CSHL) e a National Geographic.