Os mistérios do cérebro humano que, até pouco tempo, pareciam uma caixa preta e obscura, aos poucos vão ganhando novas percepções com estudos de Neurotecnologia

Em um futuro breve, não haverá mais segredos. Os avanços em pesquisas nessa área só têm sido possíveis pelas inovações tecnológicas que, a cada dia, permitem estudos em várias e diferentes frentes sobre o órgão que comanda o nosso corpo e nos faz ser o que somos.

A Neurotecnologia usa recursos tecnológicos para o estudo do cérebro e cresce a passos largos em todo mundo.

Apenas nos Estados Unidos, o The Brain Initiative, um projeto governamental, deverá investir, até 2025, aproximadamente US$ 500 milhões anuais em pesquisas voltadas ao cérebro. Grande parte desse recurso vai para a Neurotecnologia.

Imagens de atividades cerebrais

Uma das frentes que vem avançando na área é o estudo detalhado por imagens de atividades cerebrais. A técnica vem permitindo que essa fantástica máquina seja decifrada.

Com ressonâncias magnéticas cada vez mais detalhadas, o ponto alto das pesquisas está na possibilidade de análise de dados estatísticos feitas por robôs que conseguem chegar a conclusões precisas sobre as atividades cerebrais.

“São pesquisas que investigam a dinâmica cerebral viva, por meio de um sistema de análise robusto. As máquinas conseguem fazer de forma rápida diagnósticos de milhares de imagens”, explica o professor Roberto Covalon, mestre em Física e Doutor em Ciências pela Unicamp, que esteve no “Ciclo de Debates: A Sociedade Tecnológica” realizada pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG).

O professor faz parte do Instituto BRAINN da Unicamp, voltado para informação, pesquisa e inovação da neurociência. Ele observa que os avanços na área têm possibilitados descobertas incríveis de duas décadas para cá.

“Já se consegue identificar partes do cérebro responsáveis por emoções e estímulos como visão e audição. Há alguns videogames em que se pode jogar por meio de sensores em que a pessoa não precisa de controles manuais”, lembra  Covalon, reforçando que trata-se da mesma tecnologia utilizada também em algumas próteses motoras controladas pelo cérebro.

Esse tipo de estudo só é possível devido ao mapeamento que essas análises de dados têm realizado.

Minicérebros: pequenos no tamanho, mas grande em importância

Outro ponto discutido no evento, e que também merece atenção, são os minicérebros.

Para quem não conhece, minicérebros são organoides cerebrais desenvolvido in vitro, por meio de células tronco humanas. Assim, reproduzem, em parte, estruturas cerebrais e respostas fisiológicas encontradas no órgão.

Bem pequenos, entre três e cinco milímetros, os minicérebros ajudam a estudar tecidos do cérebro e testar novas drogas que podem ser utilizadas em tratamentos futuros.

Assim, esses organoides cerebrais servem para entender as respostas de neurônios a medicamentos ou substâncias que podem se tornar remédios.

“Por mais que haja muita discussão sobre ética em estudos cerebrais, não acredito que pesquisas que visam ao melhoramento da vida e saúde humana não sigam em frente”, observa  Covolan.

No entanto, o professor reforça a necessidade do conselho de ética, além do trabalho com equipes multidisciplinares. “Temos que observar até onde podemos ir com isso, estabelecendo controle. Até mesmo em relação à vida mental privada do ser humano”, aponta.