A primeira pesquisa em células-tronco embrionárias humanas que se tem notícia foi publicada em 1998 pela equipe do Professor James A. Thomson, da Universidade de Wisconsin, nos Estados Unidos. Desde então, o assunto gerou polêmica em todo mundo, e passou-se a discutir até que ponto a ciência poderia se valer do uso de células-tronco para reconstrução de tecidos.

O principal questionamento a respeito das pesquisas com células-tronco foi (e ainda é) com relação ao uso de embriões. Diversos segmentos da população são rigorosamente contrários a esse tipo pesquisas, pois acreditam que a vida humana começa já na fase embrionária. Em contrapartida, para a ciência  a vida humana se inicia apenas com a formação do sistema nervoso, o que descarta a ideia de que embriões podem ser considerados seres humanos.

Embora os principais opositores às pesquisas com células tronco sejam grupos religiosos, há alguns cientistas que são contra a prática e alegam que as células-tronco adultas podem ser usadas em substituição às células embrionárias nas pesquisas científicas. Eles ainda defendem que existe vida humana a partir da fecundação.

No Brasil,  primeiro país da América Latina a aderir a pesquisas com células-tronco, o artigo 5° da Lei de Biossegurança (Lei nº 11.105, de 24 de março de 2005), garante “É permitida, para fins de pesquisa e terapia, a utilização de células-tronco embrionárias obtidas de embriões humanos produzidos por fertilização in vitro e não utilizados no respectivo procedimento, atendidas as seguintes condições: I – sejam embriões inviáveis; ou II – sejam embriões congelados há 3 (três) anos ou mais, na data da publicação desta Lei, ou que, já congelados na data da publicação desta Lei, depois de completarem 3 (três) anos, contados a partir da data de congelamento”.

O que são células-tronco?

Trata-se de células especiais com altíssima capacidade de multiplicação, o que proporciona a sua transformação em outras células, como neurônios, células cardíacas, músculos, entre outros. Devido a isso, tais células se tornaram, ao longo do tempo, importantes para desenvolvimento de terapias para a o tratamento de várias doenças. Por exemplo, neste mês, cientistas da Universidade de São Paulo (USP) desenvolveram uma terapia para tratar diabete tipo 1 sem insulina, ao combinarem quimioterapia com o transplante de células-tronco.