Três minutos para apresentar, ao vivo, seu tema de pesquisa. Esse é o desafio do FameLab Brasil, festival de ciência que buscou promover a aproximação entre cientistas e público por meio de habilidades de comunicação.

A final da etapa brasileira aconteceu ontem, dia 27 de abril, no Museu do Amanhã, Rio de Janeiro, com um auditório lotado. O grande vencedor da noite foi Guilherme Telles, aluno do programa de pós-graduação em Educação Física e Esporte da Universidade de São Paulo (USP).

O evento foi apresentado por Iberê Thenório e Mari Fulfaro, do Manual do Mundo, maior canal de ciência e tecnologia do YouTube no Brasil. Durante a abertura, Maria Zaira Turchi, presidente do Conselho Nacional das Fundações Estaduais de Amparo à Pesquisa (Confap), comentou sobre a proposta da competição.

“Por que os pesquisadores aceitam esse desafio? Por que as agências de fomento investem esforço na atividade de comunicar a ciência para a sociedade? Porque precisamos da ciência para transformar vidas, para responder aos desafios que se apresentam. Precisamos de mais força e efetividade na relação entre ciência e sociedade”.

Como foi a grande final?

Cada um dos 11 finalistas se apresentou e foi sabatinado pelo comitê avaliador, composto por cientistas, jornalistas, escritores e personalidades públicas. Vanessa Fagundes, coordenadora do Programa de Comunicação Científica da FAPEMIG, participou do júri como representante do Confap.

A avaliação baseou-se em três critérios: conteúdo, clareza e carisma. Guilherme se destacou e, com isso, levou o grande prêmio: vai representar o Brasil durante o Festival de Ciência de Cheltenham, que acontecerá de 4 a 10 de junho de 2018 na Inglaterra, com todas as despesas pagas pelo British Council.

O público também teve a oportunidade de votar em seu candidato favorito.

A vencedora na categoria voto popular foi Priscilla Andressa de Souza Silva. Ela é física pela Universidade Federal de Pernambuco e professora do curso de Engenharia Aeronáutica da Unesp.

Percurso

Até chegar à etapa final, o caminho foi longo. Ao todo, 119 candidatos se inscreveram na edição 2018 da competição. Neste ano, além de bolsistas das agências de fomento parceiras, foram aceitos, também, inscrições de não bolsistas.

Todos enviaram um vídeo em português e outro em inglês sobre seu trabalho, de forma simples, clara e precisa. Não era permitido usar nenhum tipo de recurso eletrônico para a apresentação.

Uma primeira seleção resultou em 30 semifinalistas. Eles passaram por treinamento intensivo, em inglês e sem tradução, com uma equipe de especialistas em comunicação científica.

Uma terceira avaliação escolheu o grupo de 11 finalistas, que passou por uma nova masterclass no tema. O perfil dos finalistas pode ser conhecido aqui: www.britishcouncil.org.br/famelab/finalistas_2018

O vencedor da edição 2017 do FameLab Brasil, Felipe Lima da Costa, falou sobre sua experiência após o concurso. Segundo ele, o FameLab mudou sua vida:

“Passei em dois doutorados no exterior e tenho certeza de que as habilidades em comunicação foram fundamentais. No fim, o grande prêmio são essas habilidades, fundamentais para a carreira de cientista”.

Concurso internacional

O FameLab foi lançado em 2005 pelo Festival de Ciência de Cheltenham, na Inglaterra, e é realizado em 32 países pelo British Council.

É considerada, hoje, uma das maiores competições de comunicação científica do mundo.

No Brasil, a iniciativa está em sua terceira edição. Conta com a parceria do Museu do Amanhã, do Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações (MCTIC) por meio do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), do Conselho Nacional das Fundações Estaduais de Amparo à Pesquisa (Confap), e da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp).

Vencedores

Guilherme Telles, vencedor da etapa brasileira, é aluno do programa de pós-graduação em Educação Física e Esporte da Universidade de São Paulo (USP), onde é bolsista com financiamento da FAPESP.

Sua área de concentração está em Estudos Biodinâmicos da Educação Física e Esporte, com enfoque em adaptações moleculares ao treinamento físico.

Guilherme Telles. Reprodução Facebook British Council

Priscilla Andressa de Souza Silva, vencedora na categoria voto popular, é física pela UFPE e doutora em Engenharia Aeronáutica e Mecânica pelo ITA.

É Professora Assistente Doutora do curso de Engenharia Aeronáutica da UNESP. Sua pesquisa está centrada na área de sistemas dinâmicos visando aplicações em engenharia aeroespacial. Atualmente, coordena o projeto de extensão universitária “Ciência no Feminino: inspirando futuras cientistas”.

Priscilla Andressa de Souza Silva. Foto: Reprodução Facebook British Council