Buscar um entendimento pleno do que é a Ciência esbarra muitas vezes nas próprias áreas de atuação dos profissionais. Dentro das diferentes percepções possíveis sobre os fundamentos do trabalho e sobre como a cientificidade pode ser atestada, não são incomuns as discordâncias e as preocupações.

Entre dados, métodos e reflexões, áreas como as ciências biológicas, exatas e humanas ainda tem que reparar as arestas vez ou outra para buscar a união dentro da comunidade científica, propondo uma análise madura do que cada um faz à sua maneira.

Quais seriam então as alternativas para a compreensão mais profunda do fazer científico sem deixar de lado a importância de métodos e procedimentos particulares a cada uma das áreas?

Analisarmos o que está por trás da produção que se diz científica pode ser um excelente caminho, aponta Yurij Castlefranchi, professor do departamento de Sociologia e membro da Diretoria de divulgação científica da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG). Para ele, a ciência não tem a ver com os caminhos duros e impositivos dos métodos geralmente propostos, que por vezes são falhos e distanciam as pessoas comuns da verdadeira ciência.

O verdadeiro cientista consegue enxergar além do óbvio, suscitar questões sobre outras formas de ver o mundo.

Formado em Física na Itália, país onde nasceu, Yurij também se enveredou pela caminho da divulgação científica e posteriormente se formou em Sociologia, consolidando sua formação híbrida que integra ciências exatas e ciências humanas. “Duas paixões”, conforme descreve o próprio Yurij.

Muito além dos tradicionais jalecos brancos, os apaixonados que investem tempo e conhecimento em prol do que fazem, tem um dom que se manifesta antes da escolha profissional, muitas vezes desvalorizado nos dias atuais. O dom de “fazer as perguntas que ninguém fez e buscar as respostas“.

Esse é o ponto central da vida e atuação de um verdadeiro cientista, acredita o entrevistado do último vídeo da série “Pra você, o que é a ciência?” do canal Ciência no Ar.

Confira no vídeo outras visões do professor sobre o assunto: