Com requintes de poesia e marcada pela graça das rimas, a literatura de cordel é uma manifestação literária que se originou na região Nordeste do país. As histórias populares, com presença constante de ícones do folclore nacional, fazem referência ao universo simbólico de quem entende as raízes da cultura brasileira, marcada pela originalidade e criatividade.

Mas a produção sincronizada, dividida em número fixo de sílabas por verso e definida pelo escritor em sextilhas, septilhas ou décimas de acordo com o número de versos de cada estrofe, revela alguns dos desafios constantes desse gênero de produção literária, seja para quem faz cordel por hobby ou por quem se profissionaliza na área.

Os temas são diversos e exigem do cordelista uma série de conhecimentos prévios com relação aos vocábulos que precisam rimar e dar ritmo ao conto. O que muitas vezes passa despercebido, porém, é que os números também são fundamentais para dar fluidez à narrativa. A matemática está presente na produção dos cordéis que ilustram tão bem os contos e causos do nordestino e do resto do Brasil.

“Tem horas que parece mais um exercício de matemática do que de literatura”

O Ciência no ar foi conversar com o cordelista Olegário Alfredo que nos contou um pouco de sua vivência como cordelista, e afirmou que pensar em “literatura”, principalmente a de Cordel, também é pensar em números que tornam as rimas possíveis e formam o esqueleto dessas composições que tanto surpreendem por seu humor e charme. Confira mais um vídeo da série que revela como a matemática pode estar presente em tudo, mesmo quando não percebemos.