A trajetória de um cientista pode começar antes do ingresso na universidade. Adolescentes de Minas Gerais estão envolvidos com pesquisas de iniciação científica durante o Ensino Médio, o que traz a eles a vivência com metodologias, conceitos e experiências de gente grande. Orientados por professores, eles desenvolvem trabalhos que são destaque no meio acadêmico e fomentam a vontade de fazer parte do mundo da ciência ainda cedo.

Vamos contar a história de alguns desses jovens pesquisadores que mergulham em projetos científicos no Centro Federal de Educação Tecnológica de Minas Gerais (CEFET-MG), Fundação de Ensino de Contagem (Funec), Colégio Técnico Universidade Federal de Minas Gerais Belo Horizonte (COLTEC) e Instituto Federal de Minas Gerais (IFMG). Alguns deles são bolsistas de programas da Fapemig e CNPq.

Esses jovens são apenas uma amostragem do campo fervilhante de novos cientistas que se formam em escolas públicas e particulares do estado. São um incentivo ao futuro da ciência, além de motivação para estudantes e professores interessados em iniciar projetos.

CEFET-MG

Uso eficiente da energia solar:

Mesmo com grande potencial, a energia solar é somente a quarta fonte de energia produzida no Brasil (0,1%), atrás da hidráulica (65,1%), da eólica (4,9%) e da térmica (30%), segundo o Ministério de Minas e Energia.

Apesar de silenciosa, não poluente e inesgotável, o alto custo e a baixa eficiência ainda são fatores que contribuem para a pouca disseminação da tecnologia no país. Pensando nessa realidade, um trabalho desenvolvido por estudantes na Unidade Curvelo busca ampliar a efetividade no uso de captação de energia solar.

Os alunos do curso de Eletrotécnica, Paloma Azevedo Costa e João Victor França, estudaram variações da tensão e da corrente de saída de painéis fotovoltaicos. Por apresentarem um comportamento não linear devido às variações climáticas, como a irradiação solar e a temperatura, as células fotovoltaicas não conseguem entregar carga máxima de potência dos painéis fotovoltaicos, reduzindo o aproveitamento da energia produzida.

Com a orientação dos professores Bruno Macedo Gonçalves e Emanuel Soares Ramos, os jovens cientistas conseguiram rastrear o ponto de máxima potência dos painéis e construíram um protótipo em laboratório para verificação da técnica de controle.

O conversor eletrônico desenvolvido por eles informa ao usuário quanto de energia foi produzida e quanto foi consumida em determinado período. O protótipo conta também com recursos que facilitam o acesso ao usuário como comunicação wirelless, display LCD e teclas de navegação.

Migração do Aedes aegypti

Alunas do curso técnico em Informática da Unidade Varginha criaram um modelo matemático para simular a movimentação ou migração do Aedes aegypti. Assim é possível prever ações em curto prazo. O modelo desenvolvido por Marcella Menezes, Livia Rodrigues e Amanda Fernandes funciona semelhantemente às previsões do tempo.

Com a metodologia das jovens cientistas é possível saber, por exemplo, se mosquitos nascem em um terreno baldio com diversos criadouros e se espalham pela vizinhança. Baseado num cenário atual, o modelo criado por computador ajuda saber onde esses mosquitos estarão nos dias seguintes. A previsão facilita a tomada de decisão, por parte dos órgãos públicos, sobre a prevenção de doenças transmitidas pelo mosquito.

O professor orientador do trabalho, Gustavo Novaes, destaca a importância da pesquisa no Ensino Médio. Para ele, quando o aluno tem contato com um projeto de pesquisa, ele passa a utilizar os conceitos aprendidos no curso em uma aplicação real.

Bio3D permite visualização em três dimensões de imagens presentes nos livros didáticos. Foto: Divulgação Assessoria de Imprensa CEFET-MG

Pokémon GO no ensino de Biologia

Lançado em julho de 2016, o Pokémon GO rapidamente se tornou o jogo eletrônico mais baixado por usuários de smartphones em todo o mundo, chegando a mais de 650 milhões de downloads. No Brasil, foi sucesso durante um curto período, mas serviu de inspiração para a pesquisa das alunas Marcela Pinheiro e Ana Carolina Vieira, do curso técnico em Informática da Unidade Leopoldina.

Usando a mesma tecnologia do jogo – a realidade aumentada (integração entre informações virtuais e mundo real) – as estudantes criaram um aplicativo para ensinar biologia. Chamado pelas pesquisadoras de Bio3D, o app permite visualização em três dimensões de imagens presentes nos livros didáticos. Por exemplo, alunos podem ver uma célula detalhada pelo aplicativo, podendo aproximar e girar o desenho da forma que quiserem.

O Bio3D estará, em breve, disponível para smartphones com o sistema Android. A ideia é que seja mais uma ferramenta para o ensino, tornando as aulas de biologia atrativas e dinâmicas.

FUNEC

Infecções urinárias em idosos

Os alunos do curso de análises clínicas Bárbara Oliveira, Harrison Rocha, Mauro Silva, Taynara Souza (Foto em destaque), vão viajar para Londres para participar do “London International Youth Science Forum”, um dos fóruns de ciências mais importantes da Europa. Eles participam da pesquisa Prevalência de infecções urinárias em idosos em locais de longa permanência, que conquistou o primeiro lugar na Feira Brasileira dos Colégios de Aplicação e Escolas Técnicas (Febrat).

Por causa da premiação, receberam o convite para a viagem que ocorrerá em julho deste ano. O grupo participará de palestras, conferências, debates, workshops, visitas a centros de pesquisas, museus e pontos turísticos de Londres.

Durante três meses, os quatro estudantes e o orientador Jefferson Rodrigues, monitoraram 15 idosos de um asilo de Contagem. O objetivo foi avaliar se a incidência de infecção urinária em idosos que vivem em abrigos era grande. Amostras coletadas foram submetidas a exames laboratoriais. O estudo apontou que a prevalência de infecção urinária era bastante representativa. Um dos fatores se deve ao tempo em que os idosos ficam deitados ou sentados. A higienização incorreta também aumenta a probabilidade de infecções.

Com base na pesquisa, o orientador e grupo de alunos ministraram palestras aos cuidadores e funcionários do asilo. Os idosos também foram encaminhados para tratamentos e a iniciativa serviu para minimizar o histórico da doença, consequentemente, proporcionou melhor qualidade de vida aos internos.

Jovem pesquisador Gabriel Lopes, 18 anos. Foto: Luiz Henrique Grossi

Jogo no Computador para Deficientes Visuais

O Gabriel Lopes, 18 anos, é autor do projeto chamado “Feeling Game”, um jogo voltado para a inclusão de portadores de deficiência visual. Orientado pelo professor Paulo Henrique Rodrigues, o estudante criou um game em plataforma web para cegos.

Como motivação, o jovem pesquisador levou em conta que a maioria dos games existentes não é inclusiva e nem possui adaptações para pessoas com deficiência visual.

“Meus professores, em especial o Paulo Henrique, sempre me deram incentivo para a pesquisa. Juntos, trabalhamos num projeto para deficientes visuais que deu frutos e me orgulho disso”, destaca o jovem, que agora vai estudar engenharia química na Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG).

COLTEC

Declínio cognitivo em pacientes com doença renal crônica

A estudante do Coltec, Clarisse Scofield Lenzoni, é a jovem cientista que conquistou o Grande Prêmio de Iniciação Científica Júnior no VI Seminário PIC JR, em 2016. O trabalho dela, orientado pela professora Virgínia Fernandes Mota, relaciona a Doença Renal Crônica (DRC) com o Comprometimento Cognitivo Leve (CCL).

O trabalho implementa o estudo de imagens médicas coletadas pela Ressonância Magnética Nuclear (RMN) em conjunto com o teste Montreal Cognitive Assessment (MoCA) com uma ferramenta médica acessível.

Essa ferramenta faz a descrição de CCL de modo simples, baseado na leitura de imagens do cérebro que leva em conta o auxílio de profissionais para análise e coleta de informações para o desenvolvimento do software. Clarisse Scofield agora tem artigo publicado em revista científica, junto com a orientadora.

Para se ter uma ideia da produtividade dos pesquisadores no ensino médio, no VI Seminário PIC JR foram inscritos 99 trabalhos de estudantes do COLTEC, Colégio Militar de Belo Horizonte, CEFET-MG e das escolas estaduais Pedro II, Três Poderes, Affonso Neves e Milton Campos. O evento aconteceu no Coltec.

IFMG

Durabilidade de Brocas de Aço Rápido

O estudante Pedro Henrique Lopes Moreira, do campus Congonhas, participa do estudo sobre o recobrimento de brocas de aço rápido de alta durabilidade. O trabalho é desenvolvido no departamento de Engenharia Metalúrgica e de Materiais, sob orientação da professora Vivienne Denise Falcão.

Pesquisa do Matheus Silva Veloso Nobre foi destaque em 2016. Foto: Assessoria de Imprensa IFMG

O projeto visa aperfeiçoar ferramentas, aumentando a durabilidade e trazendo eficácia em diversos seguimentos da indústria. Na pesquisa, foram usadas brocas helicoidais de aço-rápido, que receberam recobrimento obtido por pulverização catódica (sputtering) e brocas sem recobrimento.

Os dois grupos de materiais passaram por testes de desgaste para comparar o desempenho. Verificou-se que recobrimento superficial é de essencial importância para redução do desgaste da ferramenta.

Atividade antioxidante de óleos essenciais 

Matheus Silva Veloso Nobre é estudante do curso técnico em Química no Instituto Federal Norte de Minas e foi premiado no VI Seminário de Iniciação Científica Júnior pela relevância acadêmica do projeto em que trabalha.

Sob a orientação da professora Anna Christina de Almeida, pesquisa a “Atividade antioxidante de óleos essenciais com potencialidade para inclusão como aditivos em alimentos”.

O objetivo é investigar alternativas ao uso de antioxidantes químicos, comumente encontrados em alimentos produzidos industrialmente. Para tanto, Matheus testou os óleos essenciais extraídos de três plantas: eucalipto, cravo da índia e capim limão.

Faz parte de algum projeto de iniciação científica e quer contar pra gente?

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