“Estamos diante de um risco de precarização da educação”, enfatizou a pesquisadora Carla Simone (Cefet-MG). “Temos que dar instrumentos para que os professores e estudantes entendam o que há por trás das propagandas e falácias sobre a reforma do Ensino Médio”, complementou Orlando Gomes (UFMG).

Assim foi o início do painel de ontem, 16 de maio, no restaurante Filé Espeto & Cia, durante o Pint of Science. O encontro reuniu dezenas de pessoas para falar sobre a reforma do Ensino Médio, suas implicações, riscos e benefícios.

As mudanças propostas para o ensino no Brasil podem começar a ser implementadas a partir de 2018. A Base Nacional Comum Curricular (BNCC) encontra-se em discussão no Ministério da Educação (MEC). A BNCC ainda terá que ser aprovada pelo Conselho Nacional de Educação (CNE) e a expectativa é de que ela seja definida até o fim de 2017.

Para a estudante de Geografia da UFMG, Luiza Magalhães, é preciso haver discussão, mas é necessário sair da teoria e ir para a prática. “É importante uma reformulação dos próprios professores e a ação dos mesmos junto aos sindicatos para propor a nossa reforma. O Ensino Médio precisa de uma reformulação e para que isso aconteça é preciso agir, ter voz ativa e parar de ficar só reclamando”, pontua a estudante.

 

Reforma do ensino médio na mesa de bar

O painel revelou o anseio de muitos e a necessidade de ampliar a discussão para outros espaços públicos, explicitando a relevância de iniciativas como esta para a popularização da CT&I no Estado.

“A iniciativa foi interessante para expandir a discussão, mas a reforma é da escola pública e é preciso pensar até que ponto estamos chegando a quem realmente interessa”, questiona o estudante da UFMG, José Carlos Fortunato.

As discussões renderam debates sobre os impactos do conjunto de medidas. De acordo com os pesquisadores, as mudanças apontam para um retrocesso.

“No caso da educação, quando se precariza a formação do cidadão, você dificulta as possibilidades que ele terá no futuro e isso vem junto com uma reforma trabalhista e previdenciária. Acredito que isso é retrocesso e é preciso resistir”, pontua Carla.

Ao final das apresentações e debates, o público interagiu com os cientistas.

Hoje a programação segue com o painel Envelhecimento e Alzheimer: memórias em apuros.