O que é a epigenética e como ela ajuda a compreender os mecanismos obesidade? Entender essa questão é fundamental para o projeto de pesquisa de Luana Caroline.

Ela é bióloga e mestranda em biomedicina pelo Instituto de Ensino e Pesquisa da Santa Casa de Belo Horizonte (IEP-BH), sob orientação da pesquisadora Karla Fernandes.

“Sou leitora assídua da revista Minas Faz Ciência e admiro muito todo o conteúdo. Coleciono os exemplares desde que entrei no ensino médio e muitos deles já me ajudaram bastante ao decorrer desses anos”, Luana Caroline.

Nessa entrevista, Luana inaugura uma nova seção do site Minas Faz Ciência, que vai dar espaço para pós-graduandos contarem suas experiências de pesquisa.

Conte um pouco da sua motivação para pesquisar. Como escolheu sua área de estudos e o tema de investigação?

Durante a faculdade de Ciências Biológicas, fiz iniciação cientifica no Instituto de Ensino e Pesquisa da Santa Casa de BH. Foi quando meu interesse pela pesquisa científica se intensificou.

Sempre gostei do ambiente de trabalho que o laboratório proporciona, principalmente do convívio com outros pesquisadores.

Tive oportunidade de acompanhar o trabalho de uma linha de pesquisa introduzida recentemente no IEP e me identifiquei com o tema de investigação, sendo assim, escrevi o meu projeto de pesquisa para dar continuidade ao projeto inicial.

Em que consiste sua pesquisa? Ela busca resultados para que tipos de problemas da sua área?

Camundongos são os modelos animais utilizados por Luana em sua pesquisa.

Nosso projeto de pesquisa consiste em avaliar alguns marcadores de transporte neuronal em um modelo animal de obesidade induzida por dieta.

É sabido que a obesidade pode ser considerada uma ameaça à saúde em todo o mundo e que não há terapias para o tratamento dessa doença.

No entanto, existe um grande número de estudos que possuem intenção de desvendar os mecanismos moleculares envolvidos na etiologia da obesidade.

Como é a experiência de ser bolsista de pós-graduação? Como é sua rotina? Quais os maiores desafios?

É muito gratificante poder ser bolsista no Mestrado pela FAPEMIG, principalmente pela convivência diária com os docentes e com os alunos.

O mestrado exige dedicação com seriedade e muita vontade de aprender.

Um dos maiores desafios é padronizar técnicas laboratoriais que ainda não fazem parte da rotina do IEP e que são necessárias para a nossa pesquisa.

A epigenética é um tema que tem chamado muita atenção nos últimos tempos. Em que ela consiste como explicar ao público não especializado?

A epigenética consiste em regular os genes sem envolver mudanças diretamente na sequência do DNA. Essa regulação pode ser transmitida para gerações subsequentes. Ou seja, é responsável pelas modificações reversíveis e herdáveis.

As alterações que a epigenética conduz são mais comuns que as alterações genéticas e ocorrem em resposta a sinais ambientais, fisiológicos, patológicos e comportamentais tais como hábitos alimentares, tabagismo, nível de atividade física, etc.

A herança epigenética pode permitir que um organismo se ajuste à expressão de seus genes continuamente, para se adaptar ao ambiente sem alterar a sequência de seu DNA.

Uma frase que resume de forma sucinta esse mecanismo é “O genoma faz o trabalho, mas o epigenoma diz como fazer”.

Luana no laboratório em que trabalha no IEP.

Por que estudar obesidade? Que contribuições sua pesquisa pode trazer para a saúde humana em relação a esse tema?

Além de trazer sérios riscos à saúde, a obesidade é um problema de saúde pública, uma doença que pode acarretar comorbidades graves, como diabetes, doenças cardiovasculares e problemas respiratórios.

Uma das razões do aumento da obesidade é a grande disponibilidade de alimentos ricos em calorias, combinados ao estilo de vida sedentário.

O que a população precisa entender é que além do ganho de peso excessivo, uma dieta rica em gordura também tem a capacidade de alterar a expressão de alguns genes, os quais passam a exercer suas funções de forma desregulada. Isso pode prejudicar alguns mecanismos como, o que mostramos na nossa pesquisa. Nossos dados contribuem com a literatura, visto que em modelo de obesidade, não existem publicações com esses dois genes

A pesquisa

O transporte axonal na região do hipotálamo, responsável pela saciedade, pode estar comprometido devido à baixa expressão de Rab3Gap1 e Rab3Gap2 em camundongos que se alimentaram por uma dieta hiperlipídica (com muita gordura). Os níveis de transcrito desses dois genes estão significativamente mais baixos em animais que receberam dieta rica em gordura, comparando aos animais que receberam uma dieta padrão, durante 16 semanas. Rab3Gap1 e Rab3Gap2 ajudam no transporte de vesículas dentro da célula.

Confira as dicas da Luana para entrar no Mestrado:

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