Ciência e nutrição: conheça receitas criadas especialmente para diabéticos


Publicado em 10/04/2017 às 08:15 | Por Luana Cruz

Para reduzir o impacto da diabetes, é necessário estabelecer estratégias de educação nutricional para a mudança de comportamentos e hábitos alimentares. A partir dessa proposta, a professora doutora Sônia Maria de Figueiredo, da Escola de Nutrição da Universidade Federal de Ouro Preto (UFOP), criou uma oficina de culinária e nutrição para diabéticos.

Essas pessoas vão até o Laboratório de Técnica Dietética da UFOP para interagir com estudantes de nutrição e aprender a cozinhar alimentos importantes para a manutenção da glicemia. Depois de aproximadamente 7 anos de oficinas, a professora lançou o livro Saberes e Sabores em Oficinas de Culinária: Receitas que traz receitas testadas no laboratório com participantes da Associação dos Diabéticos de Ouro Preto (ASSODIOP).

“Os alunos do curso de nutrição ensinam a essas pessoas porções de alimentos para evitar a elevação da glicemia. A oficina desenvolve a habilidade culinária e capacita os alunos da UFOP. A culinária é muito importante para adesão do paciente. Às vezes, o diabético deixa de fazer o tratamento porque não sabe a importância da nutrição ou não sabe cozinhar, assim passa a consumir açúcar porque a comida fica ruim. A gente desmistifica essa alimentação mostrando que a comida do diabético pode ser gostosa e bonita”, explica a professora.

Cozinhando na universidade

Participantes desgustando refeição preparada na oficina. Foto: Escola de Nutrição – UFOP

Uma vez a cada 15 dias o grupo se reúne na UFOP para preparar receitas nutritivas e equilibradas, fazendo reflexões coletivas sobre culinária, saúde e prazer. Os participantes cozinham e degustam ao final da oficina. A cada encontro, os estudantes de nutrição preparam ensinamentos como, por exemplo, consumo fibras ou a inserção de alimentos funcionais no dia a dia dos pacientes. Se os participantes não têm o hábito de comer gergelim, são ensinadas maneiras de inserir este alimento em saladas. Se eles não consumiam aveia, é demonstrado o quanto ela pode ajudar a baixar a glicemia.

Os estudantes fazem reuniões semanais para ler artigos e discutir qual alimento será tema da oficina. Assim, são capazes de explicar ao diabético o motivo pelo qual deve inserir o alimento na rotina nutricional, enquanto fazem juntos alguma receita no laboratório.

“O grande desafio é mostrar que o diabético não precisa comer separado da família. Além disso, ajudamos a pensar a inserção deles em contextos de festas. O paciente acha que precisa ficar em casa, porque não pode comer determinado alimento. Aprendendo nutrição, eles ficam empoderados ao saber o que podem comer e se tornam mais inseridos socialmente. Isso ajuda a reduzir até quadros de depressão”, relata  Sônia Maria de Figueiredo.

Livro

Os próprios alunos e participantes das oficinas pediram para a professora fazer o livro de receitas. A cada encontro é distribuído um encarte com informações sobre a preparação do dia, mas os pacientes às vezes perdiam o papel em casa.

A ideia é que o livro reúna as receitas para ajudar a lembrar e deixar disponível para quem quiser aprender sobre nutrição.

“Cozinhar melhora adesão ao tratamento do diabético. A família elogia e consome os alimentos junto. Temos relatos de redução de glicemia em participantes das oficinas. Temos um caso de glicemia inicial de 300 mg/dl que agora está em 120 mg/dl”, conta a professora.

O livro está disponível para download aqui

Escolhemos duas receitas deliciosas do livro Saberes e Sabores em Oficinas de Culinária: Receitas.  Clique para ampliar e aprenda a fazer caldo verde e pizza com massa de couve-flor:

Foto: Steven Depolo/Flickr

Ciência gerando ciência

De acordo com Sônia Maria de Figueiredo, este trabalho com alunos e pacientes diabéticos é parte de uma ciência feita com metodologias ativas. O estudante aprende praticando com um apoio do professor. Segundo ela, o universitário cria habilidades de competências ao gerir uma oficina culinária e, como consequência, mudar o contexto de vida do paciente. Assim, é capaz de perceber a importância da nutrição no mercado e o impacto social da atuação profissional.

O trabalho no Laboratório de Técnica Dietética da UFOP já se desdobrou em artigos científicos publicados, além de trabalhos de conclusão de cursos dos estudantes. As oficinas também despertaram outras linhas de estudo relacionadas à alimentação, cultura e saúde. Os pesquisadores estão envolvidos em projetos que discutem especificidades nutricionais de veganos e vegetarianos, além de estudos sobre alimentação sem glúten. Há também trabalhos para produção de barrinhas de cereal com farinha de maracujá e desenvolvimento de novos produtos usando a própolis verde.

Conheça mais sobre o trabalho realizado no Laboratório de Técnica Dietética da UFOP pelo Facebook.

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