O guaraná (Paullinia cupana) é uma planta da Amazônia brasileira que é amplamente utilizada na medicina popular como revigorante e estimulante físico e mental. Com o apoio da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de Minas Gerais (FAPEMIG), pesquisadores da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), da área de Farmácia, têm buscado novas aplicações terapêuticas para o guaraná, a partir da padronização do extrato e avaliação da atividade anti-inflamatória frente à inibição do TNF-alfa.

Mas, afinal, o que é isso? O TNF-alfa é considerada uma das principais citocinas inflamatórias. Entre as doenças relacionadas a essa citocina estão a artrite reumatoide, colite ulcerativa, doença de Crohn, psoríase, entre outras. O TNG-alfa desempenha papel chave na inflamação aguda e crônica, por isso muitas pesquisas têm buscado explorar o potencial desse mediador no tratamento de doenças inflamatórias. Entretanto, o número de fármacos desenvolvidos e aprovados para o tratamento de doenças inflamatórias mediadas por essa citocina ainda é pequeno, estando restrito a fármacos de base proteica, com custo elevado, o que restringe o amplo uso clínico, além dos efeitos adversos a eles relacionados, comenta a coordenadora da pesquisa, Rachel Oliveira Castilho.

Parte da equipe do projeto: Cristina Duarte-Vianna Soares, Fernão Castro Braga, Rachel Oliveira Castilho (coordenadora do projeto) e André Márcio do Nascimento.

Diante disso, os pesquisadores têm buscado validar um método analítico para quantificação simultânea dos principais constituintes químicos presentes no pó das sementes do guaraná. Com isso, será possível avaliar as novas aplicações terapêuticas do extrato padronizado do guaraná e estabelecer uma relação entre os constituintes químicos presentes e as atividades farmacológicas. Atualmente, há um grande interesse em desenvolver novos fármacos para a terapia anti-TNF.

De acordo com Rachel Castilho, a população também usa o guaraná para outras aplicações como antidepressivo, antidiarreico, analgésico, antitérmico, antimicrobiano, antioxidante e imunoprotetor. Baseado nesse relato da população, o grupo de pesquisa busca agregar valor ao guaraná, buscando novas opções terapêuticas, além do estímulo físico e mental. Além disso, TNF-alfa desempenha papel-chave na resposta imune, na defesa contra microrganismos e no processo inflamatório. Agentes biológicos que inibem o TNF-α são considerados eficazes na redução da atividade e no retardamento do dano estrutural articular na Artrite Reumatoide, por exemplo.

“A relevância dessa pesquisa é grande uma vez que não há muitos fármacos disponíveis no mercado tendo como alvo o TNA-alfa.  Estamos agregando valor para uma planta que é brasileira”, afirma Rachel.

Agora, estão sendo feitos novos estudos pré-clínicos, in vitro. O próximo passo é fazer ensaios in vivo (com experimentação animal) e isolar novas substâncias que podem contribuir para a atividade relacionada. O grupo também está pesquisando a farmacocinética para o desenvolvimento futuro de um fitoterápico ou fitofármaco.

 

 

 

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