alimentos

Um assunto bastante presente nas discussões da sociedade em torno de temas ligados à ciência e tecnologia é o uso de agrotóxicos na agricultura e seus impactos na saúde humana e meio ambiente. Desde mães preocupadas com a oferta de alimentos saudáveis aos seus filhos, a pesquisadores que buscam alternativas para redução do uso de agrotóxicos, essa temática coloca-se em evidência e desafia o cidadão comum no que se refere ao acesso a informações que possam orientá-los em seu dia a dia.

No âmbito da pesquisa científica, a Embrapa (Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária) vem, ao longo dos anos, realizando estudos que buscam não só medir a presença dessas substâncias no meio ambiente e nos alimentos, mas também propor alternativas para garantir a qualidade e o volume da produção agrícola.

Dados apontam que o Brasil ocupa desconfortável posição no ranking de países que mais consomem agrotóxicos no mundo*, inclusive sendo utilizadas aqui substâncias que já foram proibidas em muitos países da comunidade europeia e américa do norte.

Para se ter uma ideia, em 2005 o consumo de agrotóxicos no Brasil estava na casa dos 700 milhões de L/ano. Em 2011, esse número já havia alcançado o valor de 853 milhões L/ano. Em 2013, as estimativas apontavam para um consumo superior a um bilhão de litros/ano, uma cota per capita de aproximadamente 5 L por habitante. O Brasil consome hoje pelo menos 14 agrotóxicos que são proibidos em outros países do mundo[1].

Em fevereiro deste ano, durante o Seminário Nacional da Articulação Nacional de Agroecologia (ANA), no Rio de Janeiro, foi lançada uma cartilha informativa sobre o Programa Nacional para Redução do Uso de Agrotóxicos (Pronara), elaborado como parte do Plano Nacional de Agroecologia e Produção Orgânica (Pnapo – Decreto 7.794/2012).

De acordo com seus organizadores, a partir de evidências científicas que apontam a relação direta entre o uso crescente de agrotóxicos no país e a degradação da saúde e qualidade de vida das populações, com destaque para as famílias rurais, foi elaborado o programa que contou com a participação ativa da sociedade civil organizada e teve o apoio da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz).

No contexto dessas discussões, podemos também perceber a importância da divulgação científica e do acesso à informação na articulação entre vários setores da sociedade para que questões como essas ocupem a agenda política e, por exemplo, no que concerne ao uso de agrotóxicos, sejam implementada leis que atuem no controle dessas substâncias.

________

[1] Dados divulgados pelo painel “10 anos da Lei de Biossegurança e os Transgênicos no Brasil”, realizado no mês de março, no auditório da Faculdade de Arquitetura da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS). O evento foi promovido pela ONG Agapan(Associação Gaúcha de Proteção ao Ambiente Natural), InGá Estudos Ambientais, Movimento Gaúcho em Defesa do Meio Ambiente (MoGDeMA) e Grupo de Viveiros Comunitários (GVC – Projeto de Extensão da Biologia da UFRGS

*Referência: PIGNATI, Wanderlei ; OLIVEIRA, Noemi Pereira ; SILVA, Ageo Mario Candido da. Vigilância aos agrotóxicos: quantificação do uso e previsão de impactos na saúde-trabalho-ambiente para os municípios brasileiros. Ciência e Saúde Coletiva (Impresso), v. 19, p. 4669-4678, 2014.