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Na versão online do editorial da Columbia Journalism Review, Elizabeth Spayd discute como a produção de conteúdo vem trazendo importantes questões à prática jornalística.

Tendo em vista o crescente desejo das pessoas em acessar qualquer tipo de conteúdo – desde bebês fofinhos, placares esportivos, até desastres naturais e guerras – para, no momento seguinte, curtir, comentar ou mesmo retransmitir, o conteúdo jornalístico passa a ser desafiado (ou preterido) pelo conteúdo gratuito.

De um lado, tem-se a queda nos anúncios e propaganda, do outro essa produção de conteúdo livre a custos mínimos. Seria ingênuo pensar que esse conteúdo distribuído livremente na web é desprovido de qualquer interesse. No caso, o que se vê é que, por detrás das principais estratégias de marketing adotadas no mundo digital, a tal produção de conteúdo gratuito e “qualificado” muita vezes se coloca com o objetivo de atrair olhares e, principalmente, cliques para determinados marcas. E esse é apenas um dos aspectos da produção de conteúdo que impacta o jornalismo.

No caso das redações, tem sido estabelecida uma rede de trabalho que congrega jornalistas por formação e ofício, e também pessoas interessadas na produção de conteúdo. Isso, do ponto de vista do editor, significa mais trabalho para ser avaliado e/ou a retirada da responsabilidade sobre o que é publicado do veículo, cabendo a quem assina a matéria arcar com as consequências daquilo que escreve. Cabe ressaltar que esse novo formato tem como última consequência a demissão de profissionais, evento que vem sendo noticiado e repercutido não só no Brasil, mas em todo mundo. Pensando agora no campo do jornalismo científico, como promover a difusão de conteúdo assegurando a credibilidade e a qualidade do que se produz dentro desse modelo que enxuga redações e se abre aos colaboradores? Uma das possíveis respostas pode estar na parceria entre pesquisadores, instituições de pesquisa e suas assessorias.

O momento é desafiador e para dar o primeiro passo é preciso ter em mente os novos caminhos da produção e recepção de conteúdos em ambientes digitais, híbridos e móveis, onde os papéis de autor e leitor se alteram com grande facilidade.