A edição da Revista Minas Faz Ciência nº 58 trouxe uma reportagem de capa sobre o tema “vigilância“. Drones, câmeras de segurança, chips, GPS… Quais os impactos dessa profusão – ou seria excesso? – de tecnologia na nossa vida? Porque nos acostumamos com esses hábitos de vigilância e monitoramento, talvez não paremos para pensar nas consequências ou nem mesmo percebemos o quanto somos observados.

Que tal fazer um exercício de observação? O monitoramente está por todo lugar. Em uma busca rápida na web, por exemplo, é fácil localizar sites como o EarthCam, com dezenas de câmeras localizadas em diversas cidades do mundo, transmitindo ao vivo e 24h o que acontece em locais próximos e distantes de nós. Dá pra se divertir e depois acompanhar vídeos disponíveis no canal do YouTube com essa passagem de tempo de 10 anos da construção do Memorial do 11 de setembro em Nova York, nos Estados Unidos:

O site Vejo ao Vivo tem entre suas câmeras uma visão privilegiadade diversos pontos de Belo Horizonte. Acompanhar as mudanças do entorno do Mineirão é uma atividade curiosa e, embora o plano seja geral, não é impossível pensar na identificação de pessoas que circulam pela região.

Câmeras instaladas estrategicamente ajudam também a fazer um monitoramento do trânsito, com entradas ao vivo em diversos telejornais, por exemplo. Isso sem contar os dispositivos que identificam nossa localização geográfica exata. Às vezes, inocentemente, em tags nas redes sociais digitais, no compartilhamento de fotos em eventos, nos check-ins de aplicativos no celular, passamos adiante dados preciosos sobre nossas rotinas e estilo de vida.

A preocupação com a segurança e o monitoramente parte da esfera privada e chega também em esferas públicas, políticas e internacionais, como aconteceu nos casos de espionagem dos Estados Unidos, país que coletou dados sobre cidadãos e chefes de governo de maneira. As consequências partem do desenvolvimento tecnológico e chegam na maneira como nos relacionamos com a cidade, com o outro e com nossa própria vida particular.

Afinal, com tantas câmeras espalhadas por tantos lugares, ainda é possível falar em privacidade?

O tema é objeto de pesquisa em diversas áreas. Na Ciência da Computação, por exemplo, aumentam os estudos que buscam otimizar os procedimentos de monitoramento, dar mais autonomia a drones, ampliar a capacidade de aplicativos saberem tudo sobre o perfil dos usuários sem que, necessariamente, o indíviduo queira repassar esses dados. Observe, por exemplo, a barra lateral à direita de seu perfil no Facebook: não é por acaso que aparecem por lá os itens recentemente pesquisados por você. Já nas Ciências Humanas e Sociais Aplicadas, o tema é abordado, muitas vezes, a partir do interesse dos pesquisadores em entender as mudanças de comportamento nas relações humanas, nas transformações políticas e culturais.

Ficou interessado? Leia a reportagem completa de Maurício Guilherme Silva Jr. e Virgínia Fonseca na Minas Faz Ciência 58!