Tenho acompanhado e participado de eventos destinados à temática da Comunicação da Ciência há pelo menos dois anos e observo uma característica crescente que trago para a discussão aqui no blog: a necessidade de incluir na programação de congressos e colóquios atividades lúdicas, como performances e apresentações irreverentes de divulgação científica.

No PCST, realizado em Salvador em maio deste ano, foram diversas as experiências nesse sentido. Um dos grupos de maior destaque foi, sem dúvida o The Big Van Theory, que entrevistamos para a edição n° 58 da Minas Faz Ciência. Inclusive, em Barcelona, na Espanha, o grupo fez um vídeo durante o Festival de Ciência, Tecnologia e Inovação da cidade, apresentando-se no meio do metrô (vídeo em catalão):

O Colóquio Internacional Tendências Contemporâneas da Comunicação Científica tem uma sub-área específica destinada a “Atores, possibilidades e fomento da divulgação científica”. Quem atua há mais tempo na área deve conhecer outras atividades, em especial aquelas para o público infantojuvenil, relacionadas a museus com visitas guiadas destinadas a crianças.

A linguagem do teatro e da representação é uma poderosa arma de comunicação e um dos aspectos principais da inclusão de performances e atividades lúdicas em eventos científicos. Para o público especializado, conhecer formas inovadoras de comunicar a Ciência parece-me também uma necessidade de sobrevivência em um campo em que pesquisadores são cada vez mais impelidos a saírem de seus laboratórios e se relacionarem com o público de maneira mais direta.

Assistir a um monólogo criativo ou a uma esquete de humor pode ser inspirador para que grupos de comunicadores desenvolvam ações parecidas nas comunidades em que atuam. Mas o fator intrigante é a eficiência do processo, ou seja, qual o nível de conhecimento a ser apreendido com e difundido com essas estratégias? Estamos apenas reproduzindo modelos que deram certo ou, de fato, existe algo de original e um consenso sobre as performances para a divulgação científica, especialmente ao público não-especializado?

Dependendo do tema abordado, fica a impressão que muitas performances se apropriam das “piadas internas”, ou seja, apresentam informações em linguagem humorística que só poderão ser plenamente compreendidas por indivíduos que já tenham algum conhecimento prévio sobre o assunto. Já falamos aqui no blog sobre a relação da ciência com o humor e a conclusão a que chegamos é que a fórmula nem sempre traz uma resposta satisfatória.

E você, já assistiu a alguma performance, monólogo ou esquete sobre Ciência que considera eficiente? Compartilhe aqui com a gente, para que possamos dialogar sobre os processos de comunicação científica que realmente impactam o público!