Todos os meses, a equipe do Projeto Minas Faz Ciência tem uma reunião acadêmica, na qual discutimos um trecho de livro ou artigo e refletimos sobre formas de aprimorar as estratégias de comunicação da Ciência. Em maio, o tema escolhido foi a visualização de dados e a leitura foi um capítulo de The functional art, de Alberto Cairo.

A escolha do tema e do livro foi motivada pelo Curso On-line Massivo e Aberto (ou Massive On-line Open Course, MOOC na sigla em inglês) de Cairo para o Knight Center for Journalism in the Americas, sobre Introdução à Infografia e Visualização de Dados. Este é um tema muito desafiador para o jornalismo, especialmente se considerarmos que os cursos de formação na área ainda são, em sua maioria, fortemente ligados à tradição do jornalismo impresso, responsáveis por treinar e ensinar seus estudantes e futuros jornalistas a pensarem com palavras, mas não com imagens.

O que isso tem a ver com a Ciência?

Qual não foi nossa surpresa ao nos deparamos com um belo exemplo de visualização de dados que tem tudo a ver com ciência e saúde:

Em Londres, Inglaterra, no século XIX, o médico John Snow (1813-1858) desenvolveu um importante trabalho visual que o ajudou a traçar a origem de um surto de cólera no bairro do Soho. Foi o ano de 1854 e, desde então, ele passou a ser considerado um dos pais da epidemiologia moderna – e, podemos dizer, pioneiro no uso de infográficos para a ciência!

A história foi mais ou menos assim: ele reuniu dados e marcou em um mapa os casos de cólera em seu bairro. Ao mapear os locais onde as pessoas morriam, onde moravam e por onde passavam, relacionou as situações ao consumo de água de uma fonte específica, localizada na Broad Street. Era a primeira vez que dados e mapas eram utilizados para a compreensão de um surto de doença. O mapa, por mais simples que pareça, contribuiu para impedir que a infecção se espalhasse!

A imagem a seguir é considerada por Alberto Cairo um dos melhores infográficos da história!

O mapa de John Snow, com os casos de cólera marcados em preto

O mapa de John Snow, com os casos de cólera marcados em preto

Conclusões:

A leitura do capítulo do livro A Arte Funcional (disponívei aqui, em inglês) e as discussões sobre uso de infográficos para comunicar a ciência nos fizeram perceber a importância do processo de visualização para a compreensão de muitos fenômenos científicos. A infografia deve ser entendida como uma união entre conceitos, ideias e planejamento, não apenas o domínio técnico de softwares e ferramentas.

Para saber mais:

  • Snow, the movie – Curta metragem inspirado na história real de John Snow.
  • The Ghost Map – Livro sobre a epidemia do cólera em Londres no séc. XIX.

Confira também a palestra TED com Steven Johnson, autor do livro The Ghost Map: