Guardiões do clima

Pesquisa da Unifei reúne profissionais de diversos campos do conhecimento em investigação sobre os efeitos da incidência da radiação UV no Brasil e na América do Sul

A atividade solar é indispensável à Terra. Dentre os diversos fenômenos solares que afetam a vida no planeta, a emissão da radiação solar ultravioleta é um dos que mais se evidenciam, pelo paradoxo acerca de seus efeitos: se, por um lado, tais emissões são essenciais à manutenção da vida, por outro, o excesso de exposição às radiações pode se revelar altamente nociva à saúde humana.

As regiões terrestres de baixa latitude – próximas à Linha do Equador – são as mais expostas à incidência da radiação ultravioleta, cujos efeitos têm implicações na qualidade de vida da população, além de interferir nas atividades socioeconômicas, a exemplo da agricultura e da pesca. Quase todo o território brasileiro está sujeito a grande incidência de radiação UV. Logo, o desenvolvimento de estudos neste campo é de extrema relevância para a economia e a saúde da população.

Essa foi a força motriz a estimular a criação da linha de pesquisas interdisciplinares desenvolvida por equipe de especialistas da Universidade Federal de Itajubá (Unifei), que, sob a coordenação do professor Marcelo de Paula Corrêa, dedica-se a investigar o fenômeno da radiação e seus efeitos.

Os estudos iniciaram-se em 1999, ainda durante o período do doutorado de Marcelo Corrêa na Universidade de São Paulo (USP). “Em princípio, as pesquisas voltavam-se ao aprimoramento de técnicas para Modelagem de Transferência de Radiação, que consistiam em analisar a composição física da atmosfera e sua influência sobre os efeitos da radiação UV”, explica. Em seguida, o estudo foi desenvolvido em associação com o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), processo que conferiu alto grau de excelência à investigação, devido à expertise do Inpe no campo dos fenômenos atmosféricos.

Anos depois do doutorado, Corrêa passou a integrar o corpo docente da Unifei. Nesse período, com aporte financeiro da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de Minas Gerais (FAPEMIG), as pesquisas puderam prosseguir. A partir daí, implementou-se um projeto mais abrangente: os “Estudos interdisciplinares sobre os efeitos da Radiação Ultravioleta”, linha de pesquisas que reuniu profissionais das mais diversas áreas para tratar da questão dos impactos da radiação UV nos trópicos. “O objetivo do projeto era agregar conhecimentos e criar soluções conjuntas. Médicos, economistas e meteorologistas, por exemplo, poderiam reunir dados para desenvolver medidas preventivas contra os efeitos das radiações UV sobre a saúde humana”, esclarece Corrêa.

O projeto alcançou novo patamar qualitativo quando, por meio de parcerias e trabalhos em cooperação, estabeleceu-se uma rede de monitoramento em contato com outras universidades do país. “Assim, expandimos nossa base de dados e passamos a contar com especialistas monitorando a atmosfera em todo o Brasil, o que nos possibilitou estabelecer análises comparativas muito mais precisas”, comenta.

A convergência de diferentes campos do saber numa só linha de estudos permite o aperfeiçoamento de tecnologias imprescindíveis às Ciências Atmosféricas, tais como as previsões de tempo e clima, o que incluem a previsão da incidência da radiação UV. “A evolução e o aperfeiçoamento desses estudos vêm possibilitando melhorias significativas na previsão e prevenção”, conta o coordenador.

Atualmente, Corrêa encontra-se na França, onde desenvolve pesquisas em parceria com o Laboratoire Atmosphères, Milieux, Observations Spatiales (Latmos), instituto especializado em estudos atmosféricos e astronômicos incluindo aí as mudanças climáticas e a radiação UV.

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