Na manhã desta sexta-feira (15), várias câmeras registraram um fenômeno que poderia estar em qualquer filme de ficção científica: um meteorito rasgou o céu na região de Cheliabinsk, na Rússia, produzindo um clarão visível a 200 quilômetros de distância. O corpo celeste provocou um deslocamento de ar que destruiu vidraças e prejudicou momentaneamente a telefonia móvel na cidade. As notícias falam de quase mil pessoas feridas pelos estilhaços de vidro.

Nenhuma agência espacial, até o momento, confirmou a relação entre a queda do meteorito com a passagem de um asteroide de 45 metros de comprimento a 27,7 mil quilômetros da superfície da Terra. De acordo com a Agência Espacial Russa, o meteorito que caiu tinha 10 toneladas antes de entrar na atmosfera terrestre e sua velocidade chegava a 108 mil quilômetros por hora.

Apesar de parecer inusitado, fragmentos vindos do espaço caem com frequência na Terra. Na verdade, quase que diariamente. Mas, como explica o coordenador do grupo de Astronomia da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), Renato Las Casas, graças à proteção natural do nosso planeta, esses materiais não oferecem perigo. “Quando esse tipo de material entra em alta velocidade na nossa atmosfera, o contato com o ar faz com que ele se divida em vários pedaços, de tamanhos variados, formando assim o que chamamos de estrela cadente”, disse.

Ainda hoje, por volta das 18h, um outro asteroide passará perto da Terra. É o Asteroide 2012 DA14 que, segundo pesquisadores da área, passará a apenas 27,7 mil quilômetros da crosta terrestre. A distância mínima será atingida quando o corpo celeste, de 130 mil toneladas, estiver na direção do Oceano Índico, perto da Ilha de Sumatra, na Indonésia.

A Teoria

No final do período cretáceo, entre 208 e 144 trilhões de anos, a Terra foi atingida por um asteroide de aproximadamente 10 quilômetros de diâmetro, gerando uma explosão semelhante a 100 trilhões de toneladas de explosivo. Muitos pesquisadores acreditam que foi esse o motivo da extinção dos dinossauros. Essa teoria foi reforçada por um grupo de pesquisadores que, em 1990, descobriu uma cratera de 180 quilômetros de diâmetro no México.

Logo mais às 21h o professor Renato las Casas discutirá o tema em seu programa, Universo Fantástico na rádio Inconfidência. O programa é reprisado aos domingos ao meio dia.