Caçadores de raios

Referência na área, núcleo de estudos registra dados de descarga elétrica em milionésimos de segundos

Em 2001, a MINAS FAZ CIÊNCIA anunciava em sua edição n° 7 a criação do Lightning Research Center (LRC), ou Núcleo de Desenvolvimento Científico e Tecnológico em Descargas Atmosféricas, fruto de uma parceria entre a UFMG e a Companhia Energética de Minas Gerais (Cemig). Naquele ano, o LRC foi considerado o único centro de excelência em descargas atmosféricas da América Latina. Hoje, o centro se consolida como um dos três mais importantes do mundo. O coordenador do Núcleo, Visacro Filho, relata que “desde o início, nossa meta foi buscar excelência científica e tecnológica em nível internacional, visando impactar comunidades científicas de todo o planeta com um aprofundamento inédito nas pesquisas”.  O desenvolvimento dos projetos contou com o apoio da FAPEMIG.

Com tecnologia de ponta, o LRC foi o primeiro núcleo de estudos de descargas atmosféricas a registrar dados de uma onda de raio em um espaço de milionésimos de segundos. Câmeras ultrarrápidas foram integradas a sistemas de detecção de descargas, tornando possível a captura de imagens dos estágios iniciais de sua formação. O complexo de estudos possui duas redes de transmissão experimentais de diferentes configurações, para abstração das tensões e interferências induzidas em cada uma delas ao receber uma descarga, e aparatos que receptam e distinguem efeitos dos campos elétricos gerados por descargas diretas ou em uma área de até 100 m².

Antes da criação do LRC, toda a medição de raios realizada no mundo tinha por referência os dados coletados a partir de medições realizadas Suíça. Entretanto, esses valores são pouco representativos para Minas, onde a intensidade média da corrente de um raio é de 45 mil ampéres, contra 30 mil da média europeia. Além disso, as condições climáticas distintas também influenciam na forma das descargas. Hoje, devido à precisão das medições realizadas pelo LRC, as estatísticas obtidas pelo centro mineiro tornaram-se referência em todo o Brasil e em muitos países de clima tropical, já que a similaridade climática é maior do que a da Suíça.

Um projeto do LRC em fase experimental promete incorporar ainda mais acuidade aos resultados de suas aferições. Basicamente, consiste na instalação de um equipamento de captura de correntes de raios junto a torres de telecomunicação construídas em grandes altitudes. Quando um raio ocorre próximo ao local, os aparelhos coletam e armazenam propriedades da descarga. A precisão das medições feitas pelos receptores ainda está em análise. “Quando a exatidão das medições dos equipamentos for constatada, validaremos as pesquisas. A proposta é que em um futuro próximo esse aparelho esteja espalhado por todo território brasileiro. Teremos amostras de correntes de todas as regiões do país e pesquisas ainda mais significativas”, ressalta o professor.

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