A pesquisa brasileira está no centro de um debate internacional. O fato, porém, não é motivo de comemoração. A Elsevier, uma das maiores editoras científicas do mundo, invalidou 11 artigos de químicos brasileiros alegando manipulação dos dados. É a maior acusação de fraude já feita a pesquisadores do país.

A ótima reportagem do jornalista Bernardo Esteves, publicada na edição de setembro da revista Piauí, traz detalhes sobre o caso. E levanta questões importantes, como a ditadura do publish or perish, a assinatura de artigos sem conhecimento do conteúdo e a responsabilidade pela punição de casos de má conduta científica. Afinal, quando comprovada uma fraude, quem deveria aplicar as sanções? A universidade a qual o pesquisador pertence? A agência de fomento que financiou o estudo? E que sanções seriam essas?

Um bom ponto de partida é falar sobre ética. Nesse sentido, a Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp) lançou, na semana passada, um Código de Boas Práticas Científicas . Segundo a agência, o objetivo é reforçar na comunidade científica do estado uma cultura sólida de integridade ética. Como explícito em seu preâmbulo, “Na concepção, proposição e realização de pesquisas, na comunicação de seus resultados e nas relações de cooperação e tutoria com outros pesquisadores, o cientista deve conduzir-se com honestidade intelectual, objetividade e imparcialidade, veracidade, justiça e responsabilidade”.

Lidar com fraudes científicas é uma novidade, tão acostumados estamos a relatar conquistas e avanços na área. Mas é uma discussão que deve ser feita – e não apenas dentro da universidade.